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É um desafio muitas vezes ofuscado pelas preocupações prementes da falta de moradia: onde guardar os pertences. 

Mas, desde 2016, um grupo no oeste do Canadá vem projetando um protótipo de veículo destinado a oferecer às pessoas que vivem nas ruas, uma alternativa melhor do que os carrinhos de compras, quando se trata de transportar seus bens mundanos.

"Parte da realidade de estar sem teto é que você precisa de algum lugar para colocar seus pertences", disse Devon Siebenga, da Comunidade Metro, a igreja em Kelowna por trás da iniciativa."Muitos de nossa gente, passam a maior parte do dia preocupados, cuidando ou procurando suas coisas."

Para muitos, os carrinhos de compras se tornaram uma ferramenta para atender a essa necessidade - mas que está longe de ser ideal."O problema é que os carrinhos de compras obviamente não são propriedade deles e há uma enorme ansiedade que paira sobre eles durante os dias", disse Siebenga. 

Os carrinhos podem ser apreendidos pela polícia a qualquer momento, forçando alguns a decidir entre pagar altas multas para recuperar seus pertences ou simplesmente abandoná-los. "É uma preocupação constante: eu vou estar andando pela rua com todas as minhas coisas e, de repente, elas são levadas?"

Prédio do Departaento de Engenharia no Campus da Universidade da Colúmbia Britânica, Canadá. Foto: Divulgação.Prédio do Departaento de Engenharia no Campus da Universidade da Colúmbia Britânica, Canadá. Foto: Divulgação.Então, há cerca de dois anos, a igreja começou a perguntar se poderia haver uma opção melhor. Sua busca levou-os ao campus de Kelowna da Universidade da Colúmbia Britânica, onde a equipe de engenharia e os estudantes, aceitaram entusiasmados, o desafio.

Representantes da cidade e da polícia logo também se juntaram. Quem contribuiu para a concepção, foram aqueles com experiência de viver nas ruas; eles queriam algo que pudessem ter e usar legalmente, que protegesse seus pertences da chuva e do sol e que pudesse percorrer longas distâncias facilmente.

O carrinho também precisava ser leve o suficiente para manobrar pelas ruas da cidade. "Não precisa ser capaz de andar de 4x4, mas deve ser capaz de atravessar neve, passar por curvas e cascalho e terrenos irregulares", disse Siebenga.

O desenho já passou por várias versões e provavelmente passará por muitas outras, disse o engenheiro Bryn Crawford. Foto: Kelowna Capital News.O desenho já passou por várias versões e provavelmente passará por muitas outras, disse o engenheiro Bryn Crawford. Foto: Kelowna Capital News.O primeiro protótipo foi entregue em maio. Feito de madeira compensada e compostos especialmente projetados, o carrinho é equipado com freios de mão, prateleiras e fechaduras, o que significa que os usuários podem estacionar os carrinhos sem se preocupar, enquanto se dirigem para encontros ou para fazer uma refeição.

O desenho já passou por várias versões e provavelmente passará por muitas outras, disse o engenheiro Bryn Crawford. "Mesmo este primeiro modelo é significativamente diferente e um pouco mais pesado do que os outros que temos em movimento."

Espera-se que mais quatro protótipos sejam entregues nas próximas semanas. Cada um será entregue aos que vivem nas ruas com o objetivo de ter informações para ajustar o carrinho e transformá-lo em um produto que poderia, um dia, ser comercializado. "Este não é simplesmente um problema de Kelowna", disse Siebenga. "De certa forma, é uma oportunidade global".

Quem contribuiu para a concepção, foram aqueles com experiência de viver nas ruas. Foto: Kelowna Capital News.Quem contribuiu para a concepção, foram aqueles com experiência de viver nas ruas. Foto: Kelowna Capital News.

Ele teve o cuidado de ressaltar os limites da iniciativa: "Não vai substituir a habitação nem manter as pessoas fora das ruas".

Em vez disso, a esperança é que os carrinhos permitam que as pessoas se preocupem menos com a segurança de seus pertences, dando-lhes espaço para se concentrar na recuperação, segurança e moradia, disse ele. "Isso fornece uma alternativa digna, enquanto eles buscam colocar suas vidas de volta aos trilhos".

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Fonte: The Guardian (Inglês).

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