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O que uma associação de empresários de turismo, um instituto que promove a produção e comércio de frutos nativos e uma empresa de aventura podem ter em comum? Além da atuação em ecoturismo, todos colaboram para fortalecer social e economicamente as comunidades em que estão inseridos.

Cachoeira do Jamil localizada no Pólo de Ecoturismo da Cidade de São Paulo. Foto: Dino.Cachoeira do Jamil localizada no Pólo de Ecoturismo da Cidade de São Paulo. Foto: Dino.

Foi o que mostraram as palestras e mesa-redonda em evento ocorrido em Embu das Artes, na semana passada, que contou com a participação dos empresários Solange Dias, vice-presidente da Associação Empresarial do Polo de Ecoturismo de São Paulo; Gabriel Menezes, do Instituto Auá; Lucas Duarte, da Agência de Ecoturismo Toca da Onça; Fábio Lenk, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo e Claudio Alfaro, da Aquapônica.

No extremo sul de São Paulo, distante a cerca de 50 km do centro, o distrito de Parelheiros ganhou, em 2014, o Polo de Ecoturismo, instituído por Lei Municipal nº 15.953. A ação resultou de uma longa jornada da sociedade civil, que observou no cenário local a oportunidade para solucionar os problemas de baixo desenvolvimento econômico e ameaças ao patrimônio natural, pelo avanço urbano desordenado.

A aquaponia economiza até 90% de água, pois é reutilizada e, não usa usa defensivos agrícolas. Foto: Divulgação;A aquaponia economiza até 90% de água, pois é reutilizada e, não usa usa defensivos agrícolas. Foto: Divulgação;

Em exemplo sobre a força da união popular, Solange Dias contou como a comunidade se uniu e luta para pressionar as autoridades quanto às necessidades da região. "Nos reunimos, criamos uma associação, estudamos as leis e aprendemos a cobrar". Segundo ela, a organização visa o fortalecimento do empreendedorismo regional, por meio do uso de recursos e mão de obra locais. "Quando o turista vem, ele gasta na região e o valor não vai apenas para o estabelecimento que o recebeu: circula pela comunidade, uma vez que o empresário e seus funcionários também consomem produtos e serviços locais, como açougues, padarias, salão de beleza...".

Lucas Duarte, empresário na Toca da Onça para turismo e aventura, reforçou a fala de Solange e contou que o "distrito tem se beneficiado por meio de parcerias com ONG'S, como as que dão curso de turismo" para que moradores possam se qualificar e encontrar trabalho digno na própria região.

Acesso às cachoeiras dos rios Monos e Capivari são feitas por trilhas na Mata Atlântica. Foto: Toca da Onça.Acesso às cachoeiras dos rios Monos e Capivari são feitas por trilhas na Mata Atlântica. Foto: Toca da Onça.

A Toca da Onça atua para a proteção dos mananciais e preservação ambiental, por meio da conservação de trilhas, cachoeiras e rios, além do controle do número de visitas de acordo com as capacidades naturais. Para Lucas, outra iniciativa importante foi a criação de "um portal para que os empreendedores e segmentos pudessem se comunicar com eficiência, para oferta e procura de produtos e serviços locais".

Uma das maiores dificuldades pontuadas por ambos foi o relacionamento com o poder público que, devido a rotação de pessoal do corpo administrativo, desacelera o andamento de negociações de demandas importantes para o distrito, que requerem tempo e esforço.

Árvores frutíferas: da preservação ao lucro 

Na cidade de Osasco, a oeste de São Paulo, Gabriel Menezes atua à frente do Instituto Auá: uma organização não governamental que segue os passos do negócio social para promover sustentabilidade econômica, social e ambiental às comunidades.

Frutas brasileiras em extinção são recuperadas no Cinturão Verde de São Paulo. Foto: Instituto Auá. Frutas brasileiras em extinção são recuperadas no Cinturão Verde de São Paulo. Foto: Instituto Auá.

Inspirado e inspirador, Gabriel conta que apenas como ONG o Auá "nem sempre conseguia recursos para projetos, ou conseguia por tempo determinado, o que interrompia importantes atividades". Em busca de alternativas mais sólidas, se inspirou em negócios sociais praticados na Índia. A alternativa que encontrou para sua área de atuação foi o incentivo de comunidades rurais a plantarem e preservarem frutíferas nativas. O resultado foi o comércio dos frutos, fabricação de produtos artesanais, como geleias, sorvetes, sucos e cachaças, além da criação Rota do Cambuci: festival turístico gastronômico que acontece anualmente em cidades próximas à São Paulo. "No início, trabalhamos apenas com o cambuci, mas agora outras frutas também se destacam, como uvaia e grumixama".

Além de promover geração de renda, a atuação do Instituto Auá ajuda a recuperar o cambuci, que beira à extinção. Segundo Gabriel, no início o projeto contava com "cerca de 10 famílias que produziam aproximadamente 7 toneladas da fruta, em 2014. Em 2018 o número estimado está para cerca de 100 famílias e 80 toneladas de cambuci".

Na charmosa cidade de São Roque, a cerca de 40 km da capital paulista, frutíferas também colaboram para o resgate de áreas degradadas e da cultura local. Especialmente as videiras, que trouxeram fama para a região que hoje investe e lucra com o Roteiro do Vinho.

Vinhedo do Roteiro do Vinho na cidade de São Roque. Foto: Divulgação.Vinhedo do Roteiro do Vinho na cidade de São Roque. Foto: Divulgação.

O município possui uma das poucas faculdades brasileiras de enologia, onde atua Fábio Lenk, que esclarece que "São Roque tinha mais de 120 vinícolas e, hoje, restaram 15. Porém com o mesmo montante de produção, concentrado nas mãos de poucos". Segundo Fábio, a redução ocorreu por conta da substituição de fazendas produtoras por opções de lazer, condomínios e especulações imobiliárias, que colaboraram para um crescimento urbano desordenado com impactos ambientais. "Agora produtores começam a retomar o plantio das uvas, resgatar as áreas degradadas com a preocupação em criar um ambiente produtivo e sustentável, que permite a paisagem adequada para a vinícolas e valorização da paisagem local".

O Roteiro do Vinho conta com mais de 30 estabelecimentos, entre produtores, restaurantes, bares, hotéis, inspirados na cultura do vinho, que atrai milhares de visitantes durante todo o ano.

Sede do Conselho de Gestão da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo. Foto: Divulgação.Sede do Conselho de Gestão da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo. Foto: Divulgação.

Participaram do evento também: Rodrigo Rodrigues Castanho, representante da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo, que contou um pouco sobre como a entidade incentiva e promove iniciativas sustentáveis, visando a qualidade de vida da população; e Claudio Alfaro, especialista em aquaponia, que compartilhou sua paixão pela produção sustentável de peixes e hortaliças, que podem ser utilizadas para consumo e comércio de alimentos, além de colaborar com o verde nas cidades.

Os empresários falaram ao público de Embu das Artes, no I Simpósio de Economia Verde, realizado pela Sociedade Ecológica Amigos de Embu - SEAE.

Sobre a SEAE

Criada por moradores na metade da década de 70, a SEAE atua na preservação ambiental de Embu e região, para estimular e ampliar os processos de transformação socioambiental, cultural e econômica, por meio de processos educacionais participativos e inclusivos, fomentando a atuação em políticas públicas, visando a conservação, recuperação e defesa do meio ambiente.

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Por Dino em seu blog no Terra.

A convite do Bradesco, o artista Eduardo Kobra entrega painel grafitado no inovaBra habitat, espaço de co-inovação do Banco em São Paulo.

Um dos nomes mais conhecidos da arte de rua do mundo, Kobra está feliz por apresentar mais um de seus projetos na cidade. “Por mais que hoje, eu tenha a oportunidade e o privilégio de levar o meu trabalho para os cinco continentes, é sempre bom pintar aqui, onde vivo, nasci, onde tudo surgiu, e saber que pessoas e empresas incentivam esse tipo de trabalho e têm a visão de vanguarda de apoiar os artistas de rua”, conta.

Terminou no último domingo mais uma edição da Naturaltech e da Bio Brazil Fair. As maiores feiras de alimentos orgânicos e naturais da América Latina, onde foram lançados cerca de 1.500 produtos de 500 marcas diferentes, entre eles: alimentos orgânicos, veganos e vegetarianos, suplementos naturais, cosméticos, produtos de limpeza e higiene, fitoterápicos, roupas e acessórios.

Bio Brazil Fair: o evento é considerado o maior de negócios de produtos orgânicos da América Latina e marca o encontro anual do mercado orgânico do Brasil.Foto: Divulgação  Bio Brazil Fair: o evento é considerado o maior de negócios de produtos orgânicos da América Latina e marca o encontro anual do mercado orgânico do Brasil.Foto: Divulgação

De acordo com a organização do evento, só este mercado movimenta anualmente mais de R$ 3 bilhões, com crescimento médio anual de 20% e está entre os setores que mais crescem no Brasil.

De acordo com o diretor do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), Cobi Cruz, “Essa é a maior e mais importante feira do setor na América Latina e, como vitrine do mundo orgânico e sustentável, temos ação de educação ao consumidor, com a campanha “Eu Escolho” informando sobre os diferenciais do orgânico, apresentar as marcas que são associadas ao Conselho e seus produtos e promover negócios, pois essa feira é a mais relevante do segmento, espaço para bons negócios”. Algumas marcas  apresentam produtos que estão sendo exportados, e que têm muita demanda no mercado internacional: como pimentas e geleias goumerts, da Soul Brasil; chá de hibisco, da CAAPIM; vodca, da Tiiv e polpa de frutas, da Xingu Fruit.

Tiiv: a primeira vodka orgânica do Brasil. Foto: Divulgação.Tiiv: a primeira vodka orgânica do Brasil. Foto: Divulgação.

A Legurmê Alimentos foi criada em junho de 2015 com 5 sabores de antepastos, no ano passado a marca passou a ser orgânica, com 9 novos sabores. Segundo o diretor de marketing e produção da marca, Danilo Campos, “De lá pra cá decidimos que o orgânico seria o pilar central da marca, que também é vegana. O orgânico é algo em que a gente acredita, mas também tem uma questão de mercado, que está em crescimento”. Em 2018 foram lançadas três novas linhas: molhos de ervas, pimentas e condimentos (barbecue, ketchup, chilli e molho de tomate), são 25 produtos no total, que são vendidos em empórios, lojas de produtos naturais e até em grandes redes de supermercado. Agora a empresa está começando a produzir para marcas maiores, “nós fazemos o produto e eles colocam as marcas próprias para distribuir”, resume Danilo.

Chokolah: chocolate brasileiro artesanal. Foto: Divulgação.Chokolah: chocolate brasileiro artesanal. Foto: Divulgação.

A marca de chocolates orgânicos Chokolah está lançando 26 produtos nesta edição da Naturaltech. Quando foi lançada em 2009 eram 4 produtos, hoje são mais 40. Segundo a fundadora da empresa, Cláudia Schultz, “o que impulsiona o crescimento dos orgânicos é a entrada de grandes marcas no mercado, elas irão puxar o crescimento de todo setor, isso desmistifica a imagem que a população tem, de que são produtos mirradinhos e feios, agora o orgânico parece ter um glamour, os artistas gostam de orgânico”. A empresária se refere a ao lançamento de uma aveia orgânica pela Nestlé e a compra da Mãe Terra, uma marca de orgânicos, pela Unilever. A Chokolah cresce cerca de 30% ao ano.

A Vila Madalena, que fica na zona Oeste de São Paulo ganhou, no início deste ano, o Easy Organic, o primeiro restaurante 100% orgânico do País, que também funciona como um empório que vende somente produtos orgânicos certificados. O fundador da casa, Fernando Pupo se baseou em estudos científicos que relacionam a ingestão de alimentos prontos e industrializados com crises alérgicas e respiratórias, distúrbios hormonais, sobrepeso, problemas neurológicos e até mesmo doenças mais graves, como câncer. Um de seus objetivos é ajudar a prevenir doenças e a promover qualidade de vida por meio dos orgânicos, mas não é o único, “Ficou claro para mim que o consumo de alimentos sem agrotóxicos era fundamental para a saúde, então comecei a entender o quão importante era também para o meio ambiente e, com isso, a escolha por esses produtos no dia a dia ficou ainda mais fácil”, revela o empresário.

Easy Organic: todos os pratos do cardápio são feitos com ingredientes orgânicos certificados. Foto Divulgação.Easy Organic: todos os pratos do cardápio são feitos com ingredientes orgânicos certificados. Foto Divulgação.

Se antes a oferta de alimentos orgânicos ficava restrita a alguns legumes, verduras e tubérculos, hoje há um leque muito maior de opções, você pode fazer refeições completas apenas com eles: arroz, feijão, carne, frango, peixe ou ovos, temperos, azeite, sal, ervas, frutas, verduras e legumes. Pode fazer uma massa com diferentes tipos de farinhas e leites vegetais, açúcar, fermento e finalizar com um cafézinho. Se quiser praticidade, já encontra molhos prontos, comidas congeladas, massas, sucos e doces, entre inúmeros outros ítens. Mas se o consumidor e as empresas parecem estar abrindo os olhos para a importância dos orgânicos, na política o setor está sendo ameaçado.

O que vai dentro do potinho de berinjela agridoce da Legurmê. Foto: Divulgação.O que vai dentro do potinho de berinjela agridoce da Legurmê. Foto: Divulgação.

De acordo com o Portal Organics News Brasil, durante a Bio Brazil Fair aconteceu uma reunião com lideranças do setor de orgânicos para pressionar o Congresso Nacional a vetar o Projeto de Lei 6299/2002, já conhecido como PL do Veneno. O projeto propõe mudar o termo “agrotóxico” para “defensivo fotossanitário” e pretende limitar a atuação dos estados na fiscalização, o que poderá aumentar o uso dos pesticidas de forma preocupante. A legislação prevê que os agricultores não possam plantar, produzir e armazenar sementes e quer implementar que todo produto da colheita só possa ser vendido com a autorização do detentor de sementes que sofreram alguma modificação humana. Desta forma, o agricultor será obrigado a comprar as sementes e vários outros produtos, como agrotóxicos e adubos.

Ainda segundo o Portal, o retrocesso no setor de orgânicos foi um dos pontos mais debatidos. “A agricultura orgânica está influenciando positivamente a convencional, que adota práticas mais saudáveis”, disse Ariclenes Insuforte, da Brasil Bio. “Todos os avanços na legislação brasileira conseguidos até agora serão perdidos e os maiores prejudicados serão os agricultores orgânicos”, complementou Rogério Dias, vice-presidente da Associação Brasileira de Agroecologia. A reunião contou com a participação do Diretor de Branding do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), Cobi Cruz; o engenheiro agrônomo e fundador da Associação Brasileira da Agricultura Orgânica, José Pedro Santiago; Ana Flávia Badue, do Instituto Kairós; Virginia Lira, Coordenadora de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; entre outros.

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Por Juliana Carreiro no Blog Comida de Verdade.