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Foto: Divulgação.Foto: Divulgação.

Autor de obras incríveis em São Paulo, ligadas a temas do meio ambiente, o artista plástico Eduardo Srur tem como tela a cidade: os rios poluídos da capital paulista, as pontes e viadutos, as construções e os terrenos baldios. “A paisagem urbana é cenário perfeito para criar, trazendo a reflexão e um novo olhar”, diz ele em entrevista para o Pro Coletivo, durante uma live no Instagram @procoletivo no final de maio.

Rua em Auckland, Nova Zelândia; mais ciclovias, calçadas extensas - um exemplo de como as cidades serão redesenhadas para distanciamento social no estilo Covid. Foto: Governo da Nova Zelândia.Rua em Auckland, Nova Zelândia; mais ciclovias, calçadas extensas - um exemplo de como as cidades serão redesenhadas para distanciamento social no estilo Covid. Foto: Governo da Nova Zelândia.

Os benefícios do chamado “transporte a pé” são inúmeros. Eles envolvem a saúde de quem anda regularmente, a sustentabilidade e a saúde econômica das cidades.

 

O projeto “Belas Artes Drive-In no Memorial” chega ao Memorial da América Latina, em São Paulo, a partir de 16 de junho. Foto: Wikicommons. Foto: Divulgação.O projeto “Belas Artes Drive-In no Memorial” chega ao Memorial da América Latina, em São Paulo, a partir de 16 de junho. Foto: Wikicommons. Foto: Divulgação.

O Memorial da América Latina nunca chegou perto da lista dos espaços públicos mais amados de São Paulo.

Apesar de ocupar uma área enorme, de fácil acesso, ao lado de uma estação movimentadíssima de metrô e trem, de ter sido criada pelo maior arquiteto brasileiro, Oscar Niemeyer, e abrigar biblioteca, auditórios, exposições e um monte de eventos, o Memorial tem uma fraqueza que parece incontornável para um espaço público: a área externa.

Fora dos prédios, o Memorial é árido, sem bancos, com poucos pedaços arborizados, murado. Pois a Praça Cívica, onde está a linda escultura da mão sangrando, também de Neyemer, agora vai emprestar seu concreto para as pessoas que vão ao cinema. De carro.

A ideia de fazer um cinema drive-in no Memorial, que poderia soar exótica em outros tempos, faz todo sentido durante a pandemia e até combina com aquele concreto todo e a falta de urbanidade durante o dia.

André Sturm, sócio do cinema Petra Belas-Artes concebeu o evento e a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo topou. As sessões acontecem entre o meio de junho e o fim de julho. A programação é fantástica – desde 2001, Uma Odisseia no Espaço, até Apocalipse Now.

A lenta volta ao cinema ou o começo do fim?

Um dos principais drive-ins da cidade foi o Auto Cine Chaparral, inaugurado em 1971 na Marginal Tietê, próximo à Ponte do Tatuapé. Foto: Oswaldo Luiz Palermo / Estadão Conteúdo. Um dos principais drive-ins da cidade foi o Auto Cine Chaparral, inaugurado em 1971 na Marginal Tietê, próximo à Ponte do Tatuapé. Foto: Oswaldo Luiz Palermo / Estadão Conteúdo. Drive-in não é novidade. Já tivemos vários e inclusive um gigantesco, o famoso Chaparral, que durou até a década de 80. Mas hoje, diante de tudo o que estamos vivendo, ganha novo simbolismo.

Gilberto Dimenstein e a namorada Anna Penido em 2018. Foto: Divulgação.Gilberto Dimenstein e a namorada Anna Penido em 2018. Foto: Divulgação.

A partir da segunda metade da década de 1980, todo estudante de jornalismo no país sonhava trabalhar na Folha de S.Paulo, o “jornal das Diretas-Já”, e ser o Gilberto Dimenstein (1956-2020). Com este sobrenome marcante de origem polonesa que muita gente fala errado até hoje, Gilberto se tornara o epíteto do repórter intrépido perseguidor de “furos”, o Carl Bernstein (https://en.wikipedia.org/wiki/Carl_Bernstein) brasileiro para toda uma geração de jornalistas. Bernstein, Dimenstein. Até rima (mas a pronúncia é diferente: “bernstín” e “dimenstáin”).

Na pós-pandemia, cerca de cem cidades já anunciaram seus planos para aumentar ciclovias, construir outras temporárias e abrir espaço para pedestres. Caso o Brasil não atente para isso, estaremos mais uma vez na contramão da história.

O Governo Português fixou que é “obrigatório manter o distanciamento social de dois metros”. Foto: Ambitur.O Governo Português fixou que é “obrigatório manter o distanciamento social de dois metros”. Foto: Ambitur.

Os dias começam a ficar mais quentes em Portugal, literalmente. E para quem mora em cidade de praia, a temporada de caminhada na areia e banho de mar parece que já está aberta. Mas de qual praia estamos falando? Aquela praia “normal” do último verão ou da “nova” praia, dos “novos tempos”, da nossa “nova” vida? Pois é. Algumas coisas não mudaram, ok. A água segue fria como antes do vírus e o vento também não dá uma aliviada. Fora essas coisas “normais” das praias do Atlântico acima do Equador, já não iremos mais à praia como íamos antigamente. Eu e a família já nos empolgamos com um dia bem ensolarado no Furadouro, praia ao lado de casa, e, ainda que as regras oficiais para frequentar a praia sejam válidas só a partir do começo de junho, pisamos numa praia em que a máscara, por exemplo, ganhou tanta importância quanto os biquínis e sungas. Aliás, acho até que serão mais importantes: imagino que em praia de nudismo as pessoas possam ficar peladas, mas de máscaras... (haja fetiche). Mantivemos uma distância razoável dos vizinhos (a praia não estava cheia ainda e foi fácil), mas vimos muita gente agindo como antigamente, em grupos grandes, lado a lado e, como nos velhos tempos, deixando um rastro de latinhas de cerveja, garrafas e outras tranqueiras. Sim, estamos no chamado primeiro mundo, mas ainda nos deparamos com esse tipo de coisa (e para registro, saímos da praia com um saco plástico cheio de lixo dos outros...). Mas essa é outra história.
Na praia de Furadouro pisamos numa praia em que a máscara, por exemplo, ganhou tanta importância quanto os biquínis e sungas. Foto: Guia da Cidade, Ovar / Divulgação.  Na praia de Furadouro pisamos numa praia em que a máscara, por exemplo, ganhou tanta importância quanto os biquínis e sungas. Foto: Guia da Cidade, Ovar / Divulgação.

Fora o vento, o lixo de alguns e o mar meio geladinho, as praias realmente não são mais “normais”. Já nas próximas semanas, as novas regras vão nos obrigar a encarar uma série de mudanças na nossa rotina. E a vigilância promete ficar de olho, principalmente do dia 6 de junho em diante, data em que fica aberta oficialmente a “época balnear”. Até um aplicativo para celular (ou telemóvel, como dizemos aqui) deve ser usado para ajudar a organizar o entra e sai nas areias, indicando se a praia está lotada ou se ainda há espaço para mais gente. Em um primeiro momento, não deverão ser tomadas medidas mais drásticas para proibir a entrada em praias lotadas, mas o governo conta com o bom senso dos banhistas para evitar as aglomerações e aposta na sinalização para ajudar as pessoas. Os códigos de cores – vermelho, amarelo e verde – serão as indicações utilizadas. Quer dar um pulinho na praia? Cheque antes de dá pra entrar. Mas como tudo ainda é muito novo para todos nós, vamos ver como vai funcionar, principalmente porque o entra e sai nas praias é grande. Ou seja, se for rigoroso, em praia cheia só entra gente quando sair gente... A medida para definir a sinalização de cada praia é a possibilidade de se manter a distância de pelos menos dois metros entre as pessoas (não vale para as famílias ou amigos que estão juntos). Se já não houver espaço para que seja mantida essa distância, a praia ganha bandeira vermelha.

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