Está aberta a temporada das praias! - São Paulo São

Portugal tem quase mil quilômetros de costa, com mais de 600 lindas praias, todas banhadas pelo Atlântico. E apesar da água fria (os amigos tugas que me desculpem, mas ainda não me acostumei com a temperatura, mesmo no Algarve), a paixão pela praia é a mesma que temos no Brasil. Há sempre muita gente, muita diversão e turistas vindos de vários outros países da Europa (os ingleses desembarcando em peso no Algarve estão aí para confirmar).

Mas ao contrário da maior parte do Brasil, onde pode-se ir à praia em qualquer dia do ano, com a certeza de que o sol vai estar lá, a areia vai queimar os pés e a brisa do mar não vai congelar ninguém, aqui há épocas em que a praia é apenas uma paisagem. Quem encara um dia de praia no inverno, ainda que o sol esteja brilhando no céu? Mas o mundo dá voltas em torno do astro-rei e chega a famosa “época balnear”, aquela em que as areias esquentam, o vento não congela e o mar (não para mim...) fica “encarável”. Então, vamos às bolas de Berlim! 

Bom, o período das praias cheias está chegando oficialmente nos próximos dias, mas a pandemia teima em não ir embora. Será essa a nova praia? Cheia de regras e multas? Exatamente como no verão passado, a “época balnear” começa com uma série de orientações, muita fiscalização e multas. Neste último final de semana de maio, mais de 700 policiais já se espalharam pelo litoral para garantir que as normas fossem cumpridas, já que há um decreto estipulando o que pode e o que não pode.

“Em um primeiro momento, a abordagem será de sensibilização e orientação”, informaram as autoridades. Foto: Agência Lusa.“Em um primeiro momento, a abordagem será de sensibilização e orientação”, informaram as autoridades. Foto: Agência Lusa.“Em um primeiro momento, a abordagem será de sensibilização e orientação”, informaram as autoridades. “Mas se houver abuso, multa”, anunciaram. Entrar na praia sem máscara, por exemplo, pode custar de 50 a 100 euros. O mesmo vale para quem for aos restaurantes/bares pé na areia, quem resolver praticar algum esporte proibido (vôlei de praia, frescobol e aquele tradicional futebolzinho só serão permitidos em praias com baixa ocupação) ou aos que insistirem em entrar numa praia já lotada. Para os bares e restaurantes de praia que não cumprirem as regras, a multa pode chegar a mil euros.

A capacidade de receber banhistas, aliás, é um dos principais critérios considerados nesta “nova” praia. Um aplicativo (infopraia) irá indicar se as areias de determinada praia estão com sinal verde (até 50% da capacidade), amarelo (entre 50 e 90%) ou vermelho (acima de 90%). Ou seja, se ainda tem espaço para entrar mais um, mantendo o distanciamento social. Difícil, não? A recomendação das autoridades é que ninguém vá à praia sem antes consultar o aplicativo ou mesmo o site (http://infopraia.apambiente.pt). Mas quantas pessoas cabem nas praias portuguesas? Esse número existe e é divulgado anualmente pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Para a época balnear de 2021, a capacidade total das praias portuguesas é de pouco mais de 800 mil pessoas. Os dados consideram também as praias fluviais, mas a fatia maior é mesmo das areias banhadas pelo mar (cerca de 780 mil banhistas).

Imagem: Divulgação.Imagem: Divulgação.

Cada praia tem sua capacidade avaliada e, com o sinal verde, dá pra curtir sem problema, desde que, claro, mantenha-se a distância de ao menos um metro e meio do vizinho, caso este não faça parte do seu grupo. Sabe aquelas cenas típicas do verão carioca, em que é praticamente impossível abrir seu guarda-sol sem acertar a cabeça de quem está ao seu lado ou em que ficamos parados em pé pra ver se rola um pedacinho de areia livre para pôr a cadeira? Pois é, isso não deverá ter em areias portuguesas. Os aqui chamados “chapéus de sol” devem ficar a pelo menos três metros um do outro. O mais difícil, porém, é que a recomendação estende o distanciamento obrigatório também para a beira do mar e para o próprio mar. Fico aqui imaginando as pessoas tendo que se distanciar dentro d’água, quando muitas vezes as ondas nos jogam de um lado para o outro. Para passar da calçada para a areia também haverá mão e contramão. Nada de entrar na praia em qualquer ponto. A ideia é criar um fluxo mais ou menos organizado de entra e sai. 

Um ponto importante que diferencia as praias portuguesas das brasileiras é a (quase) ausência de vendedores ambulantes na areia. Nesse item, portanto, tudo fica mais fácil por aqui. Temos, no máximo, vendedores de bolas de Berlim, que poderão trabalhar, desde que mantenham a máscara ou viseira e sigam as orientações da Direção Geral de Saúde no contato com o consumidor. Para eles, o impacto da pandemia parece ser mais duro: vão andar na areia quente, vendendo o produto aos berros, com a máscara praticamente sem sair do rosto. Lembrei tanto das deliciosas praias do nosso Nordeste e já tentei imaginar os repentistas, os vendedores de tudo, os tatuadores de henna... Com temperaturas em torno dos 40 graus, muito suor, muito grito, areia, vento, gastando a lábia para vender o produto ou o serviço... de máscara. Pensando bem, acho que nem imagino como seria.

Não é preciso usar máscaras quando já estiver na areia. Foto: Diário de Notícias.Não é preciso usar máscaras quando já estiver na areia. Foto: Diário de Notícias.

E por falar em máscaras, não é preciso usar quando já estiver na areia, mas devem estar tapando o rosto em todos os acessos à praia, aos bares e restaurantes. Se fosse no Brasil, aquela turma que gosta de ficar em pé na beira dos quiosques iria ganhar um bronzeado especial no rosto mascarado... 

Por último, e não menos importante, as orientações sobre a ida “consciente” à praia passa obrigatoriamente sobre o tema do lixo, em especial o novo lixo da pandemia: máscaras e luvas. Devem ser sempre colocados nas lixeiras normais, uma vez que não são reciclados. O mesmo vale para o grande vilão da praia. Sabem o que, não? As beatas, as nossas guimbas ou bitucas, que tanto já se falou por aqui e que ainda continuam sendo um problema ambiental a ser enfrentado. Tem planos de pegar uma praiazinha em Portugal neste verão? Verifique se as areias estão lotadas, mantenha distância do vizinho de toalhas ou guarda-sol, use máscara quando for preciso e, claro, traga seu saquinho de lixo para não deixar tranqueiras na areia.

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Marcos Freire mora com a família em Ovar, Portugal, pequena cidade perto do Porto, conhecida pelo Pão de Ló e pelo Carnaval. Marcos é jornalista, com passagens pelas principais empresas e veículos de comunicação do nosso país. Escreve quinzenalmente no São Paulo São.





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