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Esqueça aquela avenida tomada por buzinas estrondosas e passos apressados que vemos durante a semana. Foto: Carta Capital.Esqueça aquela avenida tomada por buzinas estrondosas e passos apressados que vemos durante a semana. Foto: Carta Capital.

Domingo é dia de praia – todo mundo sabe disso. Cadeirinha de plástico nas costas, breja no isopor, protetor na bolsa, garganta aquecida para gritar com a molecada, selfie ostentação e pronto: #partiupraia. Se existe algo que brasileiro ama mais do que polemizar nas redes sociais, com certeza, seria o sol. Basta ele chegar que a cara das pessoas muda; brota um bom dia inesperado no elevador; aparece um sorrisão largo no lugar do amarelo; e troca-se a sofisticação do preto e cinza para a estampa colorida de gosto duvidoso. Assim, ele vai assumindo o papel de maestro das nossas vidas e, como os planetas, giramos em torno dele.

Temos pressa para tudo. Pressa para sair de casa de manhã, para chegar no trabalho, para almoçar, para chegar à consulta do médico ou ao encontro com as amigas. Tem até os que nasceram com pressa, pré-maturos porque não podiam mais esperar.

A cidade de São Paulo é a mais multicultural do Brasil e uma das mais diversas do mundo. Com a chegada de imigrantes europeus no século passado, a cidade de São Paulo ganhou diversas vilas proletárias. Construídas para abrigar operários de uma mesma construção ou indústria, os bolsões de casinhas coloridas ainda sobrevivem cercados por grandes prédios na metrópole paulistana.

Uma das singularidades de São Paulo é ter no seu centro uma fenda topográfica de difícil resolução urbanística: o vale do Anhangabaú. Na origem o vale protegia, juntamente com a várzea do Carmo, a colina onde se abrigava a povoação jesuítica. Com a expansão do núcleo urbano, no entanto, foi preciso vencê-lo, embora de maneira nunca definitiva.

O vale, que abrigava um riacho assombrado, segundo o seu nome indígena, foi ocupado por chácaras, bordejado por plantações de chá, deu lugar a residências de elite, foi racionalizado como espaço público ajardinado, depois aberto a avenidas amplas e depois ainda transformado em calha automobilística subterrânea recoberta por uma praça de concreto de uso inconclusivo.

A Vila Madalena de hoje concentra estúdios de artes, fotografia, galerias, exposições, escolas de teatro e principalmente bares, muitos bares. É um ponto de concentração de artistas, escritores, jornalistas e gente jovem à procura de diversão. Nada que lembre os idos de 1954, quando a parte alta da Fradique Coutinho nem era pavimentada, como todas as ruas em redor, mas já existia a Escola de Balé Elza Prado, no mesmo local até hoje.