Africanidades: em São Paulo, a primeira livraria especializada em literatura negra e feminista do país - São Paulo São

Infelizmente, o racismo ainda se manifesta de várias maneiras na sociedade. Mesmo depois de tantos anos, pessoas negras ainda precisam lutar por mais espaço e igualdade. Foi por isso que a bibliotecária Ketty Valencio, de 34 anos, criou a Livraria Africanidades, especializada somente em literatura de autoras negras.

A ideia de Ketty é dar visibilidade para obras alternativas da literatura negra, especialmente as que ainda não são tão reconhecidas. Entre as estantes da livraria estão: feminismo, ficção, não ficção, poesia, religião, nacionais e ciências sociais. Tudo focado na cultura negra. Além disso, Ketty também percorre eventos e festivais literários.

A livraria começou na forma digital, mas agora também ganha espaço em uma loja física. O novo espaço – inédito até então no país – conta com um acervo de 200 títulos diferentes e a decoração traz trabalhos das grafiteiras Gabi Bruce, Nene Surreal e Linoca, que seguiram a temática de livraria.

“Nossa intenção é a celebração, já que criar um espaço de acolhimento e fortalecimento é uma forma de resistir. A maioria dos espaços que sempre estamos é de dominação masculina, de controle e queremos o oposto, ou seja, o espaço trará segurança para que possamos realizar atividades juntas, favorecendo a autonomia e o protagonismo”, destaca Ketty.

Formada em biblioteconomia, Ketty é também pesquisadora, pós-graduada em gênero e diversidade sexual na Unifesp e MBA-Bens Culturais: Cultura, Gestão e Economia na FGV faz curso de especialistas de Cultura, educação e relações étnico-raciais na USP e após sete anos trabalhando em bibliotecas, investiu no próprio negócio e conta com um viés inédito: o protagonismo das mulheres negras na literatura mundial.

Um breve passeio pelo site e é possível encontrar livros de autoras como Alice Walker, Angela Davis, Jarid Arraes, Maria Firmino, Noémia de Sousa, entre outras.

De acordo com ela, a inauguração da livraria em um espaço físico é também uma forma de fazer política. “É algo inconsciente e pensando na minha trajetória de vida, lembro que eu só queria vender uns livros escritor por autores e autoras negras. Parece simples e ao mesmo tempo é algo que as pessoas acham revolucionário. Estou reivindicando a minha representatividade e isso parece ser uma coisa tão transgressora, ainda que não devesse ser”, enfatizou.

Além da livraria física, Ketty possui também um site, com o acervo da livraria, que permite a compra virtual e também o pagamento parcelado e traz títulos que dificilmente são encontrados nos grandes magazines ou livrarias online, fazendo, mais uma vez um recorte que preza pela inclusão de autores independentes, pouco conhecidos e/ou acessados.

A livraria possui estantes como feminismo, ficção, não ficção, poesia, religião, nacionais, ciências sociais, entre outras, mas tudo voltado à cultura negra. Além do site, Ketty também percorre eventos e festivais literários, evidenciando o formato que se propõe a ser acessível e viável.

“Algo que eu acredito é que quando uma mulher avança, todas avançam. Não adianta eu avançar sozinha e não trazer comigo outras mulheres, até porque, dentro de mim habitam várias mulheres, algumas que fazem parte da minha família, do meu sangue e outras que passaram por mim, algumas que eu não conheci, mas que estão comigo e para onde eu for, vou levá-las. Quero escrever uma nova história, as próximas gerações que virão e as que estão aqui tem que ser diferente, tem que ter condições de vida plena e se eu e outras mulheres conseguirmos ajudar, meu sonho vai ser desenvolvido. Espero que consigamos”, pontua.

Sobre a empreendedora

Ketty Valencio, de 34 anos, criou a Livraria Africanidades, especializada em literatura de autoras negras. Foto: Lucas Hirai / Instagram.Ketty Valencio, de 34 anos, criou a Livraria Africanidades, especializada em literatura de autoras negras. Foto: Lucas Hirai / Instagram.Ketty Valêncio é de família negra, vive na zona Norte de São Paulo, é formada em biblioteconomia, pós-graduada, foi membro do Coletivo de Mulheres Matilde Magrassi de Guarulhos, realiza um cineclube feminista e uma roda de conversa também em Guarulhos. Em 2014, foi uma das editoras da revista Mulheres de Palavra, com a participação de várias protagonistas do movimento hip-hop.

Serviço

Livraria Africanidades
Endereço: Rua Aimberê, 1.158, Perdizes – São Paulo, SP
Informações: http://www.livrariafricanidades.com.br/ 
Siga a página no Facebook.

***
Por Jéssica Balbino do Margens.