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Eles chegam com suas cores, música e língua com a perspectiva de recomeçarem a vida. E se, para nós, a princípio são todos iguais; basta um mínimo de atenção para perceber o contrário.

No último final de semana dois importantes eventos chamaram a atenção para a questão, que muitos tentam invisibilizar.

O Brasil possui mais de 8 mil refugiados e São Paulo é a cidade da América do Sul que lidera esse ranking. Nos últimos 5 anos o número de refugiados no país passou de aproximadamente 500, para mais de 8 mil, desses, 26% na Capital Paulista. As informações são do ACNUR, agência da ONU para a questão dos Refugiados.

O grande número de refugiados tem mudado a cara da cidade. Chegam com suas cores, música e língua com a perspectiva de recomeçarem a vida. E se, para nós, a princípio são todos iguais; basta um mínimo de atenção para perceber o contrário. Chegam do Haiti, do Senegal, de Mali, Burkina Faso, Gana, Argélia, Benim, Ângola, Camarões, República Democrática do Congo… Cada um com uma história, muitas vezes parecidas.

Os Refugiados são pessoas que deixaram seus países por motivo de perseguição devido à raça, nacionalidade, pertencer a um determinado grupo social ou possuir determinada opinião política. Embora sejam bem recebidos pelos brasileiros, ainda passam por maus bocados quando o assunto é a burocracia e adaptação. Para chamar a atenção para a questão e para o intercâmbio cultural com os brasileiros, nesse final de semana aconteceram dois importantes eventos: a Copa dos Refugiados e o Cultura de Refúgio, reafirmando a importância de ampliar o diálogo e pensar políticas públicas para estrangeiros nessa condição social.

Os Jornalistas Livres estiveram nos dois espaços, confira o que rolou.

Cultura de Refúgio Nesse domingo (2) a festa Domingo na Casa, organizada na Casa Fora do Eixo São Paulo, teve como temática a Cultura de Refúgio. A Casa Coletiva FdE fica localizada no bairro do Cambuci, uma região central, mas afastada…quase um centro periférico. De lá saíram artistas como OSGEMEOS, mas assim como toda a capital, teve sua rotina alterada por esses ilustres estrangeiros. O grande número de cortiços da localidade faz com que os refugiados, que possuem muita dificuldade para alugar uma moradia regular devido à documentação, se concentrem na região, explica Edvam Filho, morador da casa coletiva.

 

Foto: Mídia NINJA.

O evento começou com a exibição do documentário Soul King Nino Brown, sobre a importância da cultura de resistência do HipHop. 

"Ninguém tem futuro sem ter passado. A gente pega o que tem de negativo e transforma em positivo”, lembrou Nino após apresentação. E resistência é a história de vida dos refugiados."

O filme foi seguido pelo debate Cultura de Refúgio, mediado pelo refugiado e advogado congolês Pitchou Luhata Luambo, coordenador GRISTS (Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem-Teto de São Paulo), com a participação da cineasta Eliane Caffé, do jornalista congolês e recém-formado em mecatrônica, Alphonse, e do comerciante angoles Fabricio, ambos refugiados.

Foto: Mídia NINJA.

Pitchou explica o motivo da escolha do viés cultural do debate “Saímos do nosso país, mas não deixamos nossa cultura. Chegar em um país com outra cultura e costumes é uma grande dificuldade”.

Eliane realizou em 2014 a gravação de um longa-metragem com os refugiados, por um ano ela conviveu quase diariamente com eles. “O que eu sinto hoje é que a realidade do refugiado só vai ampliar esses bolsões de deslocamento. E o problema são os guetos que se formam. A única forma que eu vejo de furar esses guetos é por meio de projetos culturais.”

A barreira cultural e da língua são as principais dificuldades que encontram para a adaptação. Alphonse conta sua história: “Sendo jornalista e estudante sempre estava na linha de frente brigando por nossos direitos, por causa disso sofri perseguição. Consegui fugir graças a Deus, fui primeiro para a Tanzânia e de lá vim para o Brasil. Estou no Brasil há três anos e ainda estou aprendendo a língua, foi uma dificuldade muito grande”. Ele acaba de concluir o tecnólogo em mecatrônica, atualmente dá aulas de inglês e francês.

Fabrício saiu de Angola após ter sofrido violência policial depois de uma manifestação. Escolheu o Brasil exatamente pela língua irmã ao seu país de origem. Está no Brasil há 3 meses, para ele a adaptação está sendo tranquila: “A facilidade da língua me ajudou muito”. Pitchou, que está no Brasil há 5 anos, explica quais outras dificuldades enfrentam. “Estamos sofrendo por causa da desinformação das pessoas”. Ele explica que a maioria das instituições desconhece o “Protocolo”, documento que os refugiados possuem. Ele já foi impedido de resgatar seu FGTS por não reconhecerem o documento. Após o debate, o espaço cedeu lugar para uma animada festa, que contou com a banda Afreeka, do Congo, e o grupo Enligne Music, do Haiti. Além da música, os participantes puderam degustar a culinária tradicional dos países e participar de uma feira de roupas típicas (lindas!).

Os times de cada país se enfrentaram no campo do Ceret (Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador), localizado no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo. O evento é totalmente organizado por refugiados e solicitantes de refúgio que vivem na cidade. Um deles é Franky Tresor Bitanga (ou Bitanga Franky Tresor, já que na África o sobrenome vem na frente), que chegou no Brasil há 11 meses em busca de uma vida melhor e de mais oportunidades. O jovem camaronês de 23 anos acha importante um evento desse tipo, sobretudo pela reunião entre os refugiados e também com os brasileiros.

“Esse tipo de coisa é boa para pessoas que vêm de fora e se sentem sozinhas. O brasileiro é um povo sempre alegre, então quando você pode trocar alguma ideia com eles é sempre uma ideia bacana”, ressalta.

Como o clima era de futebol, Franky não demorou a cravar: “Vamos ser campeões e a final vai ser contra a Costa do Marfim”.

Talvez ele esteja certo. No próximo sábado (8) ocorrem as semi-finais e finais da competição. Os primeiros jogos serão Nigéria x Costa do Marfim, às 9h, e Camarões x Guiné-Bissau, às 10h, e definirão os finalistas que jogarão às 13h (a disputa do terceiro lugar deve ocorrer às 12h).

A presença de brasileiros nas arquibancadas não foi tão acentuada, mas os “namoridos” Aparecido da Costa Silva e Luzia Daniel de Andrade fizeram questão de assistir a alguns jogos.


Viemos assistir primeiro porque gostamos muito de futebol”, comenta Luzia. “Acho que nosso país tem que ajudar esse povo que está vindo para cá, dar assistência. É nossa obrigação. Somos todos irmãos e seres-humanos”, opina.

O espírito de fraternidade é justamente o objetivo de Jean Catumba, congolês organizador do evento. Ele explica que a Copa surgiu para criar um espaço de amizade, para estimular o contato com o povo brasileiro.

“Queremos falar para os que ainda não conhecem quem é refugiado. O Brasil é o país do futebol, escolhemos esse caminho para mostrar que temos uma fraternidade, que não somos perigosos, que temos valor e que pode construir um país junto com os brasileiros”, diz.

 

Jean espera que, em 2016, o evento possa ser melhor organizado, em parceria com a Prefeitura de São Paulo. “É para melhorar a divulgação, pois os brasileiros ainda não entenderam o nosso objetivo”, conclui.

A 2ª Copa dos Refugiados é promovida pelo Acnur (Alto Comissariado da ONU para Refugiados) e pela Caritas Arquidiocesana de São Paulo, com apoio da Prefeitura de São Paulo, do Colégio São Luís, da Cruz Vermelha, do Sesc (Serviço Social do Comércio), do Sindibast (Sindicato dos Empregados em Centrais de Abastecimento de Alimentos do Estado de São Paulo), da UGT (União Geral dos Trabalhadores), do Colégio Espírito Santo, da corretora de seguros Da Veiga, das Irmãs Missionárias do Espirito Santo e da Paróquia Cristo Rei—Tatuapé. Os 18 países competidores são Haiti, Guiné-Buissau, Afeganistão, República Democrática do Congo, Gana, Argélia, Cuba, Bangladesh, Síria, Mali, Senegal, Serra Leoa, Nigéria, Angola, Togo, Guiné-Conacri, Paquistão, Colômbia, Burkina Faso, Costa do Marfim, Camarões, Gâmbia, Etiópia e Iraque.

 

Foto: Adolfo Garroux.

Por Larissa Gould e Oscar Neto, especial para os #Jornalistas Livres. Com fotos de Adolfo Garroux, Giovanna Consentini e Mídia NINJA.


 

 

Noúlimo final de semana dois importantes eventos chamram a atenção para a questão, que muitos tentisibiúltimo fin de semana dois importantes eventos chamram a atenção para a questão, que muitos tentam invisibi

Conversei com a Ana Couto, empresária e especialista em gestão de marca, sobre as transformações no mundo do marketing e responsabilidade social da marca, entre outros temas. A conversa é inspiradora. O papo com a Ana vai além do aspecto técnico e de negócios. Faz pensar em como cada um de nós, indivíduos e profissionais, levamos nossas vidas. Confira abaixo a entrevista na Revista Move.

A principal reflexão que uma empresa, seja grande, média ou pequena, deve fazer é qual o papel da marca. O empreendedor deve se questionar: por que existo e por que estou no mundo? Além disso, deve se perguntar: o que agrego às pessoas?

Quem diz isso é a empresária Ana Couto, fundadora da agência de gestão de marca que leva seu nome. Uma das principais especialistas na área no Brasil, ela explica nesta entrevista exclusiva à Revista Move o que faz uma marca se diferenciar no mercado e como alcançar essa condição. Analisa também as transformações no marketing, que cede lugar ao conceito de gestão de marca.

“Não estou dizendo que o marketing vai deixar de existir, mas sim que ele tinha uma função muito clara naquela época (século XX)”, diz. “Quando falamos de branding, estamos subindo uma instância e trazemos essa visão – que é a de construção de valor – para a empresa como um todo.”

No bate-papo, a empresária diz que é possível fazer uma analogia dessa questão com a vida das pessoas. “Aquelas que entendem como é a própria personalidade, seus objetivos de vida, planejam o futuro e pensam no que fazer para alcançar isso, obtém um sucesso muito maior”, afirma.

Designer de formação pela PUC-RJ, Ana Couto tem mestrado em Visual Communication no Pratt Institute, em Nova York, e se especializou em Branding na Kellogg on Branding: Creating, Building, and Rejuvenating Your Brand. Em 2015, formou-se no curso OPM (Owner/President Management Program), na Harvard University.

Fundou a Ana Couto Branding em 1993 com a proposta de trabalhar o design como ferramenta para construir marcas. Entre as empresas para as quais desenvolve ou desenvolveu trabalhos estão Itaú Unibanco, Coca-Cola, Buscapé Company, AES Brasil e Alpargatas, entre outras. Em 2015, foi jurada do Festival de Cannes.

Em maio, lançou a Laje, um núcleo de inovação que atua como um espaço de aprendizado para profissionais e estudantes e consultoria de inovação com foco no setor corporativo. Com curadoria feita por Clarissa Biolchini, sua sócia, a Laje oferece cursos de design thinking, entre outros.

Confira a abaixo a entrevista com Ana Couto.

Revista Move – O marketing das empresas tem sido muito influenciado por questões como sustentabilidade e preocupações sociais, por exemplo. Que análise você faz dessa tendência?
Ana Couto – Temos uma visão – e acredito que o branding evolui nesse sentido – de que as marcas hoje têm um papel importante no mundo. A premiação de causas sociais está muito forte em festivais, como Cannes, por exemplo. É o design tendo um papel estratégico para uma marca, uma peça ou uma comunicação, com impacto social. Vejo isso como um grande tendência. Trabalhamos com a missão de fazer com que as empresas entendam que a sua marca tem de ter um papel positivo no mundo. Não dá mais para ficar em cima do muro, fingir que ela não impacta uma cadeia de consumo. O papel social da marca – e uso o termo me referindo à do iceberg, o que ela representa para o negócio e os consumidores – é muito forte. É uma tendência do século XXI. Nesse sentido Cannes representa bem a mudança. Houve toda uma polêmica a respeito de algumas campanhas que venceram, se elas são relevantes ou se foram feitas para ganhar prêmios, mas essa coisa vai se depurar. O fato é que não dá para trabalharmos no século XXI sem uma visão de construção de um mundo melhor. Isso vale para pessoas e para empresas.  O jovem está nesse caminho. Ele não quer trabalhar só por dinheiro.   O marketing clássico do século XX, que é push e venda, já teve seu tempo.

RM – O que está provocando essas mudanças no marketing e no papel das marcas?  É o comportamento do consumidor?
AC – Vamos analisar os últimos 20 anos. Nesse período, houve um avanço muito grande da globalização. A revolução digital nos trouxe um nível de informação que não havia antes. Todo o poder, que antes estava ligado às corporações, passou para as pessoas. Essa é uma mudança de paradigma nunca antes vista. A revolução digital trouxe a relevância para o nível das pessoas. Pense em AirBNB, Netflix etc. O que vai ficar em pé são as marcas, as propostas de valor que realmente são importantes na vida das pessoas. Isso é revolucionário. Para dar um exemplo, imagine uma marca de tapete de Londres cujo produto foi feito na Índia por crianças. Apesar de ser algo cultural e milenar lá – crianças trabalhando – hoje muitas pessoas podem não compactuar com essa cadeia de valor. Outra coisa é o desgaste do modelo de capitalismo do século XX. O capitalismo é o melhor modelo, mas precisa evoluir. Não dá mais para haver estímulo ao excesso de consumo. A crise do capitalismo está muito exposta, Mas ele vai acabar? Não. Ele vai evoluir para um sistema mais consciente, de preocupação com o planeta, por exemplo. É o contexto em que vive o mundo que indica todas essas transformações.

RM – Um dos efeitos visíveis dessas transformações é que as empresas já incorporaram o discurso da defesa do meio ambiente, causas sociais e sustentabilidade. Mas como separar o que é puro marketing daquilo que é realmente ação?
AC – Conversamos muito com nossos clientes o seguinte: qual é sua proposta de valor – isso é a base do branding. O que você traz de relevante para o mundo e para as pessoas? Quando você constrói uma visão estratégica para a sua marca, entende que isso é a ponta do iceberg. Debaixo da parte visível, há toda uma base de valor que, se não for sólida e real, fica como o vento: vai de um lado para o outro. Temos uma evolução darwiniana. Não são os mais fortes que vão sobreviver, mas sim os que têm maior capacidade de se adaptar. Sobreviver hoje, como uma marca, é algo muito complexo. Veja a Kodak, Blockbuster e outras grandes corporações que, de uma para a outra… A gestão da marca para o CEO passa pelo seguinte ponto: ele tem de pensar hoje como evoluir em termos de negócios sem desprezar a proposta de valor de marca, porque isso, sim, é o fio condutor de seu negócio. As empresas que entendem isso são as que criam relevância para as pessoas. Aí o branding trabalha a relevância perante os stakeholders. Não é só o consumidor, mas também o colaborador, o acionista, a comunidade. Todas as relações de valor. Vivemos um momento de muita atenção – e tensão – a respeito de como evoluir num momento de muita mudança. O negócio vai mudar muito, a proposta de valor da marca é o fio condutor para o futuro e o segredo é ter relevância para as pessoas. Grandes marcas como Coca-Cola e McDonald´s, que entendem que seu produto em si não está necessariamente fazendo um mundo melhor, estão se repensando. E quem se repensar e olhar o mundo de outra forma vai permanecer.

RM – Muitas vezes isso é algo difícil porque passa pela modificação do produto, não?
AC – Sim. Basear a proposta de valor no produto é, não vou dizer equivocada, mas uma visão frágil. O papel do produto é fundamental. O papel dele é “tangibilizar” uma proposta de valor para o cliente. Se ele não entrega isso, a chance de cair em desuso é grande. Um exemplo emblemático do mundo das marcas e dos negócios é a Apple. Ela não é calcada no produto, mas numa proposta de valor. A empresa soube evoluir de uma marca de computador para designers, como era há 30 anos, para algo muito diferente, além do computador. É uma marca que pensa a proposta de valor e usa o produto para “tangibilizar” isso. E produto tem de entregar, não pode ser fake. Aquela coisa “eu amo essa marca” não se sustenta. A gente ama as relações intrínsecas – pai, mãe, família. Com marcas, a gente se relaciona.

RM – Num artigo no Meio & Mensagem, você escreveu que o marketing cedeu lugar à gestão de marca. Pode explicar isso melhor?
AC – Pensando no século XX, quando se começou a vender produtos – no tempo dos 4Ps -, o objetivo muito claro do marketing era a venda. Não estou dizendo que o marketing vai deixar de existir, mas sim que ele tinha uma função muito clara naquela época. Quando falamos de branding, estamos subindo uma instância e trazemos essa visão – que é a de construção de valor – para a empresa como um todo. Então deixa de ser uma função, uma categoria, um exercício do marketing para ser um trabalho de construção de valor da empresa. Nesse processo, todas as esferas da empresa são influenciadas. O RH, por exemplo, não está lá mais só para atender questões burocráticas relacionadas ao colaborador, mas sim para atuar numa dimensão maior. Ele tem de lidar com parceiros estratégicos, financeiros, falando com todos os executivos que constroem o negócio. O valor da marca é a soma de todas essas esferas. Uma coisa muito importante hoje, por exemplo, é a Bolsa de Valores. O ativo da marca na Bolsa tem uma grande importância na hora de comprar uma ação ou investir numa empresa. O consumidor, portanto, não é mais aquela pessoa que apenas compra um produto, como no passado. Hoje muitas vezes ele é cliente, mas também colaborador, investidor – nos EUA há um número alto de investidores na Bolsa. Perceba que há um círculo de papeis exercidos pelas pessoas. Não se pode, por exemplo, deixar de lado uma comunidade altamente impactada por um negócio. Ela tem força para destruir uma marca se não enxergar valor para ela. Por isso a Intel, para citar um caso, está mostrando atualmente de onde vem o minério usado nos chips. Mostra que ele é legal, como foi extraído etc. E a venda daquele chip específico é o valor da cadeia dela. A companhia leva esse produto para o mercado com a visão de que não se pode mais deixar de observar a cadeia como um todo. É um momento muito rico de amadurecimento no modo como se entende o papel das empresas. É a visão de que a função delas não é apenas o de produzir uma mercadoria.  Por isso intangível é o século XXI, e isso vem com toda a revolução digital. O intangível é a marca. Como se faz a gestão dela? Por isso, quem estiver olhando só para a venda, para o próprio umbigo, vai ter mais dificuldade de evoluir e ser relevante nos próximos 100 anos.

RM – O problema é tudo isso se dá num ambiente de pressão muito forte por resultados de curto prazo. Ter capital aberto, como você citou, só agrava essa situação. E um trabalho de construção de marca pressupõe um olhar de médio e longo prazos. Como resolver esse conflito?
AC – Eu sei que não é fácil. Um dos compromissos com nossos clientes é fazer um trabalho aplicável, simples e que gere valor. É preciso ter muito cuidado para não ficar num papo muito filosófico. O principal é entender qual é o papel da marca e buscar relevância. É perguntar: “por que existo e por que estou no mundo?” Essa é uma reflexão que muitas vezes as empresas não fazem, já vão direto para o resultado, para a comunicação. Se bem feito, esse questionamento ajuda muito no negócio, porque tudo fica mais claro para os colaboradores. O seu diferencial é a sua razão de ser. Vejo muitos executivos patinando na busca por diferenciação porque nunca refletiram sobre qual o papel de sua marca no mundo. É possível fazer uma analogia com as pessoas. Aquelas que entendem como é a própria personalidade, seus objetivos de vida, planejam o futuro e pensam no que fazer para alcançar isso, obtém um sucesso muito maior. O branding não é uma coisa teórica e de muito longo prazo. É um instrumental para o dia a dia. Se fizer essa reflexão, você encontra a sua diferenciação e constrói relevância. Pense num restaurante qualquer em que a comida não é boa e o lugar não é agradável. Não agrega nada ao seu cotidiano. Você sabe que aquele lugar não vai dar certo. O dono não pensou em que diferença ele faz na vida das pessoas, além de entregar o arroz e feijão. É preciso construir um negócio no qual haja uma diferenciação. Não adianta começar algo que todo mundo já tem. A chance de sucesso nesse caso é pequena. É complexo.

RM – E isso serve para o grande, para o médio e para o pequeno empresário.   
AC – Exatamente! Tem aquele caso clássico do pipoqueiro. Você conhece?

RM – Qual?
AC – É uma brincadeira bacana. É a história do pipoqueiro que entende quais são os diferenciais dele. Tem uniforme branco, marca, dá lencinho para a pessoa lavar a mão antes de pegar o pacote, faz pipoca de acordo com a personalidade do cliente. Tem todo o diferencial de marca. Então digo que é o brand do pipoqueiro, porque ele pensou no que pode agregar para o cliente dele. É uma pergunta básica: o que você agrega às pessoas?

Clayton Melo Sócio, publisher e empreendedor na Revista Move é também Blogueiro na Istoé Dinheiro.


O 'doodle' do Google desta quinta-feira (6) presta uma homenagem ao sambista paulista, e também ator, radialista e humorista, Adoniran Barbosa. Acesse: https://www.google.com.br/

Se estivesse vivo, ele estaria completando 105 anos. É o autor de "Trem das onze", "Saudosa maloca", "Samba do Arnesto" entre outros clássicos.

Adoniran Barbosa, nome artístico de João Rubinato nasceu em Valinhos6 de agosto de 1910 e faleceu em São Paulo23 de novembro de 1982

Rubinato representava em programas de rádio diversas personagens, entre os quais, João Rubinato, que acabou por se confundir com seu criador dada a sua grande popularidade. 

Mais na Wikipediahttps://goo.gl/t5W6qf

 


A dupla de artistas brasileiros 'OsGemeos' volta com seus icônicos personagens coloridos em um novo trabalho intitulado “Conexão Paralela” (Parallel Connection), uma animação interativa que ganhará os painéis eletrônicos da Times Square entre os dias 1 e 31 de agosto, das 23:57 à meia-noite. O projeto faz parte do Midnight Moment, uma apresentação mensal feita pelo The Times Square Advertising Coalition (TSAC) e pelo Times Square Arts.

Todas as noites, a Times Square se torna uma galeria de arte digital, com exibições visuais em determinadas telas e bancas de jornal. Os shows sempre começam às 23:57 com uma contagem regressiva que sinaliza o início da apresentação de três minutos. Eric Dyer, Richard Garet, Andy Warhol, Björk, Leslie Thornton e Yoko Ono são alguns nomes do extenso grupo de artistas que já participaram do projeto.

“É sempre muito emocionante tentar novos meios de se comunicar com nosso público e estamos muitos felizes com esta oportunidade. Esta é a primeira vez que nós criamos algo nesta escala, usando telas e uma animação maior. É um diálogo entre dois mundos, onde o espectador está no meio do palco, e estabelece uma conversa entre o mundo imaginário e o real, uma pausa no tempo para refletir e sonhar”, afirmam Gustavo e Otávio Pandolfo.

Conexão Paralela rompe as barreiras entre a imaginação e a realidade. Os artistas pretendem se conectar com o lado alegre e criativo que, segundo a dupla, todo indivíduo tem dentro de si, mas que visualizam apenas nos sonhos. “O mundo dos sonhos é o único lugar onde cada pessoa no universo pode estar conectada se conseguir quebrar as barreiras entre a imaginação e o mundo físico”, afirmam os irmãos.

De acordo com Tim Tompkins, presidente da Times Square Alliance, “a animação d’'OsGemeos', criada especialmente para o projeto, acerta em cheio o público da Times Square, convidando-o para esse universo alternativo proposto pelos artistas.

OsGemeos estavam na nossa lista de desejos pois o trabalho deles envolve a imaginação do público, seduzindo com uma estética vibrante e puxando as pessoa para um mundo onde diversidade, humor e humanidade coexistem”, afirma Sherry Dobbin, diretor da Times Square Arts.

O presidente da Times Square Advertising Coalition, Fred Rosenberg, afirma ser uma honra dar espaço a artistas tão queridos, principalmente pelo público jovem, na programação de agosto, e mostrar que as telas do projeto conseguem criar a mesma diversão que os cinemas ao ar livre. Harry Coghlan, também presidente da Times Square Advertising Coalition, disse que foram atraídos pela maneira em que 'OsGemeos' colocam os painéis eletrônicos no papel principal do vídeo, de um jeito lúdico e hipnótico”.

Fonte: Mistura Urbana. 

Em 2011, o rapper paulista Criolo lançava o disco Nó Na Orelha, que poderia ter sido o fim de sua carreira após mais de 20 anos de estrada, pois o dinheiro ganho com shows já não chegava para pagar as contas. O sucesso foi enorme. Quatro anos depois, Criolo faz a segunda turnê internacional de Convoque Seu Buda, seu terceiro álbum.

Preocupado com a situação do povo brasileiro, Criolo afirma que a redução da maioridade penal é apenas uma regulamentação do que já é feito: “Desde que eu me entendo por gente, vão para favela assassinar jovens”.

A forma peculiar de se expressar, recheada de metáforas, chegou a fazer um tradutor francês desistir de auxiliá-lo em uma entrevista quando passou por Paris. A Carta Capital, ele também fala sobre a polêmica participação na turnê Nivea Viva Tim Maia com Ivete Sangalo, a turnê europeia e sua trajetória pessoal.

Carta Capital: Como está o desgaste físico após tantas viagens de trem e avião na Europa?

Criolo: Ah, meu filho, para quem é acostumado a acordar quatro horas da manhã para procurar emprego, saindo lá do Grajaú para ir pra Santo Amaro ou pro centro, atravessar a Europa de trem carregando umas malas de roupa e equipamento musical é uma honra muito grande.

CC: Você já comentou que a situação do povo brasileiro vem melhorando lentamente. Como enxerga o momento político atual?

C: É revoltante, porque a proporção dessa melhora não está de acordo com o tanto que nosso povo luta. Os governantes ficam com o freio de mão puxado. Eles fazem questão de nos transformar em número e força para que a máquina se movimente. E, mesmo assim, eles puxam o freio de mão e vão usando da nossa energia quando acham que é importante.

CC: Qual é a sua opinião no debate sobre a redução da maioridade penal?

C: Já foi reduzido, só faltou colocar no papel. Desde que eu me entendo por gente, vão para favela assassinar jovens. Só estão regulamentando. Desde pequeno, a gente sabe: ‘ó, o muleque ali foi assassinado, meteram bala nele’. Seja pela força que representa o governo, seja pela mazela social ligada à desventura das coisas horríveis que são oferecidas a nossos jovens. Isso já foi taxado.

Para o rapper, atualmente em turnê pela Europa, redução da maioridade penal só 'coloca no papel' realidade vivida nas periferias.

A gente luta para que exista uma mudança de concepção. Porque não é só ensinar que um mais um é dois, que o Ceará fica no Nordeste e Porto Alegre fica no Sul, mas dar um ambiente de construção de texto, propício para que todo jovem brasileiro possa ter ambiente de discussão. Senão, não vai adiantar nada. A gente luta para que exista uma compreensão melhor de ser humano em nosso país.

CC: Você acredita que essa medida atinja em maior escala a população pobre?

C: Afeta todo mundo, porque ódio só gera ódio. Até agora, não vi ninguém querendo trabalhar com a causa, só querem trabalhar com efeito para ganhar ibope. É óbvio que existe uma guerra, não vamos virar as costas e fingir que não está acontecendo uma guerra civil no país. Mas o rap vem falando isso há mais de 40 anos no Brasil. E o pessoal vem falar disso agora?

Que bom que estão falando, não vou tirar ninguém. Opa, demorô, vamos falar, discutir, conversar. Se educação é comércio e saúde é comércio, você já vê por aí. O tanto que os caras roubam da gente todos os dias, era para todo mundo ter uma situação maravilhosa no Brasil, ninguém estar passando essa dificuldade toda. Eu nem diria dificuldade, passar dificuldade é uma coisa, você lida com isso. Passar por humilhação, aí é fogo.

CC: Você defende que a falta de diálogo é um de nossos maiores problemas. Esse quadro tem piorado?

C: Mas não só a falta de diálogo quando surge um tema. Uma falta de diálogo global, desde a concepção do ser, é necessário criar um ambiente que não seja só para passar a nossas crianças que um mais um é dois e questões de geografia. Mas esse perceber ser capaz de construir diálogo. Perceber-se construção de pensamento.

Não é só diálogo na hora que o bicho tá pegando, porque, na hora que a bala tá comendo, como você vai resolver? Vem falar para mim que uma poesia vai ser uma solução? E também é. A força da poesia é algo brutal. Mas, na hora que o bicho tá pegando, não adianta trazer flores. A verdade é muito dura. Tudo que está acontecendo já foi arquitetado, alguém imaginou que iria ser desse jeito e como se aproveitar da situação. 

CC: Agora, uma pergunta delicada...

C: Toda pergunta é delicada porque uma coisa é eu dar minha opinião para você que tá perguntando. Outra coisa é minha opinião estar no mundo e alguém escutar sem ter perguntado. Sua opinião só importa se alguém pergunta. É a premissa, né? É lógico que todo pensamento é interessante quando visitado, mesmo por acidente. Mas a premissa é que estou respondendo a você questões da tua mente. Então, toda questão é ou não delicada. Pode perguntar, meu filho.

CC: Parece um pouco complicado, dentro do rap, crescer no meio musical e alcançar novos públicos. Quando você topou o projeto com a Ivete, promovido pela Nivea, Viva Tim Maia, foi acusado por fãs do gênero de ter se vendido. Como viu essa situação?

C: Acho que conflito de ideias só faz a gente crescer. Acredito que as pessoas têm que ter liberdade para se expressar. Fui convidado para participar de um evento maravilhoso, que homenageia um cantor brasileiro. Você pensar um evento para um milhão de pessoas, tudo gratuito, alguém tinha que pagar essa conta. Uma empresa ‘X’ imaginou fazer esse grande festival – já é o quarto ano – e fui uma das pessoas convidadas.

Eu pensei bastante, pensei muito, sabe? Eu pensei muito se aceitava ou não. Mas, faltando quatro dias para eu dar a resposta, fui assistir ao documentário do Sabotage, no qual ele falava que o sonho dele era cantar com a Sandy. Que ele ama a voz da Sandy, acha ela um anjo, uma cantora maravilhosa. Aí eu falei: ‘Obrigado, meu amigo, por me ajudar a dar a resposta, por me ajudar a compreender um pouco mais que música é algo gigantesco’. Aí eu aceitei. Lógico que eu estou a um milhão de anos luz de distância do professor Sabotage. Tanto professor é que me deu essa aulinha a mais. Então, tá tudo certo.

CC: Outra polêmica levantada nesse projeto foram as críticas de Ed Motta, sobrinho de Tim, ao fato de você e Ivete terem sido escolhidos. Disse: 'Quem oferece é sem noção, é clima de empresa, mas quem aceita é pior ainda, é mau caráter com a história'. Como você lidou com isso?

C: Ele tem o direito de dar a opinião dele. É um grande cantor, uma personalidade do Brasil. Por que iria ter problema, se eu luto para que as pessoas tenham liberdade de expressão? Imagina. Eu venho do rap, cara. O rap nos ensina um monte de coisa, não é isso que magoa a gente, não. O que magoa é ver o povo passando fome. O cara dar a opinião de achar que meu nome não foi uma coisa feliz para estar em determinado projeto, em específico alguém da família dele, alguém que ele ama, ele tem todo o direito, gente. O que me preocupa é ver os caras roubando nosso povo, que sofre e é humilhado no Brasil e fora. Isso que me magoa. Porra, ele foi sincero e deu a opinião dele. Tá tudo certo, cara.

CC: Você pensa em descansar um pouco quando acabar a turnê?

C: Não tem esse papo de descanso, não. Não ligo pra isso, meu filho. A gente veio de uma realidade em que todo dia pedia a Deus, ou o nome daquilo que você acredita, para ter oportunidade na vida. Agora que tem, vai ficar reclamando? Sai fora, meu.

CC: Como é sua relação com a composição? Você tem o hábito de andar com bloco e caneta?

C: Já andei bastante. Agora, gravo tudo no celular. É mais fácil. Mas também, quando perde, perde tudo. Nem tudo aquilo que lhe traz praticidade é o melhor.

CC: Mas chegou a perder alguma canção escrita?

C: Já, claro. Muitas. São 28 anos escrevendo, você perde muita coisa. E muita coisa se perde dentro de você, também. Você não perdeu o papel, mas muita coisa se perde em você. Você vai visitar aquele texto que começou, em cinco, dez anos, é um sopro divino. A arte é algo muito especial, porque lembra que ainda somos seres vivos. Por isso, a arte é tão cultuada, misteriosa e valorizada. Porque lembra que existe um ser humano que ainda está vivo. Que não viramos totalmente máquina.

Por João Pedro Soares. 


Tudo começou em 2012. Para combater a ideia de que moradores e animais de rua são seres invisíveis, o fotógrafo Edu Leporo decidiu lançar mão de suas lentes. “Saí às ruas procurando fotografar e contar essas histórias cheias de amor, respeito e companheirismo'', conta ele.

Assim surgiu o projeto “Moradores de Rua e Seus Cães”, em São Paulo. As histórias e imagens são reunidas em um site: http://zip.net/bqrBsd 

Agora, Leporo quer publicar um livro com esse material. Para isso, lançou uma "vaquinha virtual". O objetivo é arrecadar R$ 43.485,00 até 26 de agosto. 

As doações começam em R$ 10, e quem quiser ajudar pode acessar o sitewww.startando.com.br/livromrsc


Maria Carolina Abe no Blog Pet Money