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"Sabotage – O Maestro do Canão", do diretor Ivan13P, foi exibido na noite de quarta-feira (2), na 'cracolândia', no centro de São Paulo, dentro do projeto CineB, circuito itinerante que leva cinema brasileiro para comunidades da capital e região metropolitana. O filme, que conta a história de um dos ícones do rap nacional, foi exibido ao ar livre em parceria com o programa De Braços Abertos, por iniciativa do secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Eduardo Suplicy. 

“Quando vi o filme no Cine Direitos Humanos, gostei tanto que disse ao Ivan 13P e para o Denis Feijão (diretor e produtor do filme), que seria ótimo exibir o documentário em todos os CEUs de São Paulo e também aqui na cracolândia. Eles acharam uma boa ideia, assim como os coordenadores do programa Braços Abertos e também o prefeito Fernando Haddad”, disse Suplicy.

O coordenador do projeto CineB, Cidálio Oliveira, falou sobre a recepção na cracolândia. “Não tivemos nenhuma rejeição. As pessoas perguntavam se eu ia mesmo para a cracolândia, falavam que eu era maluco. Eu respondia que ia sim. E você está vendo que não tivemos nenhum problema, ninguém falando alto, pessoal pedindo licença. Estou super feliz”, afirmou. 

Para Ivan13P, o documentário pode influenciar positivamente os frequentadores da região. “A história do Sabota pode inspirar a galera para o lado positivo. Ele passou por situações que, com certeza, muita gente aqui também passou. De certa forma, através dos esforços pessoais, ele conseguiu sair dessa”, afirmou. “É uma honra e uma oportunidade poder ajudar um programa como o Braços Abertos. A gente teve o prazer de o Suplicy adotar o filme como ferramenta e ter feito esse convite”, disse Denis Feijão.

Implementado pela prefeitura no início de 2014, o programa Braços Abertos oferece para dependentes químicos que moram nas ruas de São Paulo a oportunidade de trabalhar com serviços de zeladoria, com remuneração de R$ 15 ao dia, três refeições diárias, atividades de capacitação profissional, atendimento de saúde, além de vagas em hotéis da região central.

Fonte: Rede Brasil Atual.

 


Pisar nos ladrilhos pretos e brancos com o formato do mapa do Estado de São Paulo certamente também faz alguma coisa acontecer no coração dos paulistanos.

Mas parte da emoção sentida ao cruzar o marco geográfico da canção de Caetano Veloso pode diminuir porque o famoso 'piso paulista' está sumindo de parte da cidade, inclusive do cruzamento mais famoso de Sampa, a Ipiranga com a São João.

A desenhista Mirthes Bernardes, 80, se entristece ao falar do descaso com os ladrilhos, mas o orgulho de ter criado um dos principais símbolos da cidade é maior. Em 1965, o desenho dela venceu o concurso que padronizou todas as calçadas da capital paulista, na gestão do prefeito Faria Lima.

"Eu achava que tinha coisas bem mais bonitas [entre as concorrentes], mas não acharam", diz, rindo.

A desenhista aposentada pela Prefeitura de São Paulo conta que não tinha pretensões de vencer a disputa na época, quando rascunhou o desenho, mas confessa que buscou inspiração nas calçadas cariocas. "As ondas [do calçadão] de Copacabana, um traço lindo por sinal, e eu não quis imitar, mas queria fazer alguma coisa parecida. Se lá [no Rio] tem uma coisa tão linda, por que aqui não pode ter?", questiona.

Meio século depois, o "piso paulista" ainda faz muito sucesso, mas Mirthes, a dona da patente, diz que nunca ganhou um centavo por isso. "Faz 50 anos que eu estou lutando. Não consegui nada, nem um alô. Eu acho que eu merecia", diz.

O famoso símbolo já estampou panfletos de grandes bancos, chinelos e propagandas de toda a sorte.

Mirthes disse que vai continuar brigando na Justiça contra as empresas e se desanima ao falar do cuidado com os ladrilhos. "Qualquer piso desses que está aí em São Paulo está esculhambado. Vão passando por cima, vão tampando buracos ao invés de restaurar."

Seu maior medo é que o todo o "piso paulista" desapareça.

Em 2012, a avenida Amaral Gurgel, uma das primeiras vias a receber o "piso paulista", teve todas as suas peças arrancadas e trocadas por concreto "para melhorar a drenagem e aumentar a durabilidade", diz a prefeitura.

As calçadas da São João, Consolação e parte do centro velho também estão sumindo porque os comerciantes tem a opção de restaurá-las ou não, pois elas não são tombadas. O município diz que o "piso paulista" implantado nas calçadas de prédios públicos são sempre restaurados.

Incentivo

O historiador da USP e conselheiro do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico), Pedro Puntoni, disse que símbolos da cidade precisam de apoio para se manterem preservados.

O historiador diz que tornar o piso um patrimônio histórico daria a ele um reconhecimento e ajudá-lo financeiramente, como a possibilidade de obter apoio pela lei Rouanet. "Mas isso não significa respeito porque muitos bens tombados estão ruindo. Alguns são vistos até como estorvo para o crescimento e desenvolvimento", disse.

Para ele, a prefeitura deveria ser responsável por implantar todos os calçamentos da cidade. "Cada um cuidar de sua calçada em São Paulo é uma besteira. O poder público teria de cuidar e cobrar de cada um, senão o vizinho põe um degrau, outro põe cimento. Cidades modernas, como Paris, as calçadas são municipalizadas", afirmou Puntoni.

Felipe Souza na Folha de S.Paulo.

 

A obra consolidada e sua influência na atualidade: Mário de Andrade ontem e hoje, 70 anos após sua morte, numa abordagem direta e transversal. O escritor homenageado na 13ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que este ano ocorre entre os dias 1º e 5 de julho, na cidade de Paraty, na Costa Verde fluminense será lembrado com uma programação diversificada que vai além da organização oficial da festa.

Uma das atrações do Centro Cultural Sesc Paraty será o documentário Missão de Pesquisas Folclóricas e Etnográficas, uma seleção audiovisual sobre as manifestações culturais populares no Norte e Nordeste brasileiros, feito sob coordenação de Andrade quando ele foi chefe do Departamento de Cultura da cidade de São Paulo.

A gerente do Centro Cultural Sesc Paraty, Lisyane Wanderley, explica que os trabalhos apresentados durante a Flip fazem parte dos projetos nacionais da instituição, mas tangenciam o tema Mário de Andrade. “A nossa programação de cinema será o documentário que ele fez a partir das expedições que promoveu no país, essa pesquisa que ele teve em cultura popular. Em alguns momentos nós temos ações que falam [de Mário de Andrade], mas não necessariamente. É um painel de tudo o que a gente produz em cultura e arte no país, que é uma das vertentes das ações do Sesc”.

Com entrada gratuita, o Sesc promove exposições de arte, peças teatrais e debates com escritores. Entre as atrações estão a peça Cordel Clownesco do Romeu e Julieta, do grupo Caravan Maschera (SP); a intervenção Polvos Poéticos, do Grupo Sensus (SP); a exposição Linhas, Trançados e Cores no Reino de Gilvan Samico, com xilogravuras baseadas na cultura nordestina; e o espetáculo Mário de Andrade conta Macunaíma, com Pascoal da Conceição (SP).

A parte literária da programação conta com a vencedora do Prêmio Sesc de Literatura 2014, Débora Ferraz, que debate com Carol Bensimon e João Anzanello Carrascoza as viagens literárias e a construção de personagens; o vencedor da primeira edição do projeto Residência Literária do Sesc, Ronaldo Bressane, que vai falar sobre mobilidade literária; uma conversa sobre estética e técnicas de imagem com Roger Mello, Lourenço Mutarelli e Joana Cesar; e a Poesia Eletrônica será debatida por André Vallias e José Paes de Lira.

Lisyane lembra que o Sesc começou a levar atividades para a Flip em 2007, com programação em locais alugados. Em 2012 foi adquirido um casarão da década de 40 para a implantação da sede do Centro Cultural Sesc Paraty, que será apresentado para o público durante a festa literária desde ano.

“Nós compramos uma sede que já tinha passado por algumas intervenções de uso da comunidade. Nós resgatamos o traçado original desse casarão, na forma como a pesquisa histórica apontou”. A gente trouxe as características originais desse casarão, com o projeto técnico, organizado por profissionais do Sesc, estudiosos, técnicos da área de cultura, e agora a gente esta concluindo essa reforma, é um prédio tombado [como patrimônio histórico].

O local está em fase final de obras e será aberto para o público da Flip com algumas intervenções artísticas e a visita da parte arquitetônica, mas sem uma inauguração oficial, que ainda não tem data marcada. A programação completa do Sesc na Flip pode ser conferida na internet.

Fonte: Agência Brasil.

Quando a estudante de jornalismo, Norma Odara, fotografou a banquinha de café compartilhado do Seu Neves, nem a autora da foto e muito menos o fotografado imaginavam a repercussão que um simples gesto de solidariedade poderia causar. E causou.

Uma semana depois: equipes de TV, anônimos curiosos e turistas ao acaso iam até à Rua da Consolação, quase na esquina da Avenida São Luís, para conhecer a barraquinha onde clientes podem pagar cafés, bolos, lanches - e deixar tudo anotado em uma lousinha - para que outras pessoas (em sua maioria, moradores de rua) sejam beneficiadas pelos créditos deixados. E foi assim que Seu Neves, ex-analista de suporte de informática, se tornaria personagem do primeiro café compartilhado de rua de São Paulo.

Mas antes do café se popularizar por aí, sua trajetória como empreendedor independente tem início sete anos antes, em 2008, quando deixou Porto Alegre rumo à capital paulista após receber proposta de emprego de uma multinacional. “Sempre trabalhei com informática e recebi uma boa proposta para trabalhar em São Paulo. E como minha mulher é paulista, juntamos nossas coisas e viemos com os filhos para começar uma nova vida”.

Nos quatro anos seguintes, trabalhou ainda em outras empresas do ramo da telefonia até que, em 2012, resolveu dar adeus à rotina do escritório. “O nível de stress chegou ao limite e eu não estava mais disposto a enfrentar aquele desgaste todo. Consegui ganhar algum dinheiro trabalhando como analista e, com a ajuda da minha esposa, decidimos nos tornar empreendedores”, ele relembra entre a concorrida procura por cafés, tortas e bolos – vendidos e compartilhados.

♪ Vou para Porto Alegre, tchau♫

Quando decidiu dar um ponto final à carreira de analista, Neves, a esposa e os três filhos também resolveram voltar à capital gaúcha. O que não durou muito tempo, já que como ele mesmo definiu “estava paulistano demais”. E com a pouca oferta de emprego e salários baixos, acabou arrumando as malas de volta para São Paulo, com destino ao bairro de Artur Alvim. “Eu já estava acostumado com o ritmo daqui. E em São Paulo, por mais difícil que seja, ainda dá pra tirar algum dinheiro”.

E tudo começou por causa do feeling comercial de Edneusa. Precisa e certeira, a intuição da esposa era o que faltava para o casal prosperar na, já não tão, oportuna Terra das Oportunidades."Estava à procura de trabalho, pensando como investir em algum negócio, quando a Edneusa sugeriu abrir uma barraquinha de café em frente à empresa que trabalhava na época”.

Entre um café e outro: por que não compartilhar?

Diante da nova rotina de trabalho, Neves e Edneusa passaram a se dividir entre as atividades da empreitada. Enquanto ela se dedica à preparação de quitutes como tortas de frango ou calabresa, além de lanches caseiros de presunto e queijo, ele vai à rua em dois turnos: das 5h30 às 11h e das 17h30 às 22h, de segunda a sexta-feira. “Apesar da correria e do trabalho que dá, hoje consigo ter uma vida livre de escritório e do stress corporativo. Também ganhamos mais do que em nossos antigos empregos”, avalia.

Há cinco meses, entre os clientes habituais do dia-a-dia, Seu Neves foi pego de surpresa pela sugestão de uma cliente mato-grossense que por ali passaava: na hora de pagar a conta, além do café tomado, também insistiu em deixar outro "suspenso” para um eventual cliente. Sem entender a oferta, decidiu pesquisar mais sobre o tal conceito que acabara de ser apresentado.“Daí então descobri essa prática que já acontece em vários países da Europa e também nos Estados Unidos. No dia seguinte, trouxe a lousa pra começar a compartilhar”.

Ao contrário de outros estabelecimentos que já adotaram a prática em São Paulo, a barraquinha não causa qualquer tipo de intimidação a moradores de rua ou pessoas sem dinheiro. “No começo as pessoas ficavam meio desconfiadas, sem entender direito a intenção do café compartilhado. Aos poucos foi se tornando normal pro pessoal que passa por aqui todo o dia”. Em suas contas, mais ou menos, seis ou sete pessoas são beneficiadas diariamente pelo compartilhamento não só de café, mas também chá, lanches ou uma das nove opções de bolos espalhados na mesinha improvisada.

10 meses depois...

Quase um ano depois, a próspera barraquinha da Rua da Consolação já colhe os frutos de um investimento honesto e independente. Além de pagar as contas do mês, o negócio garante certa tranquilidade à vida do casal. “É curioso como um pequeno gesto faz a diferença. Ainda me surpreendo com tanta gente vivendo na rua, em condições tão difíceis. Eu me emociono”.

Aos olhos da lei, um infrator

Mesmo formalizado pelo MEI (Microempreendedor Individual), recentemente, viu seu negócio ameaçado pela presença das autoridades locais. "Duas vezes, oficias da Guarda Civil Metropolitana, que passavam pela região, questionaram a legalidade do comércio e chegaram a pedir a retirada da barraca. Eu não sei qual é o problema por fazer meu trabalho de forma honesta. Nunca fui denunciado pelo que faço aqui e, de repente, alguém que diz que não posso exercer meu trabalho. Além disso, quantos food trucks e outros comércio de rua estão por aí sem nunca ter sido incomodados?”, questiona.

André Nicolau no Catraca Livre.

 


Está quase pronto um trabalho de catalogação que levou duas décadas. No fim do ano que vem, sairão os quatro volumes elencando cerca de 4.000 obras do artista José Leonilson, morto aos 36, em decorrência da Aids, em 1993.

Dois anos depois da morte, o Projeto Leonilson foi criado pela família, tendo à frente sua irmã Ana Lenice Dias Fonseca da Silva, para cuidar do espólio. Desde então, os herdeiros vêm compilando as obras do artista com a ajuda de especialistas, entre eles Ricardo Resende, editor do catálogo raisonné que sairá em breve.

Esse tipo de publicação, que lista todas as obras produzidas por um artista, é importante não só para pesquisadores e curadores que queiram montar exposições, mas também para combater falsários, já que se uma obra não consta no catálogo é bem provável que ela seja uma fraude.

Dois artistas de peso do cenário nacional –Candido Portinari e Tarsila do Amaral– já têm seus raisonnés, o que ajuda no controle das obras pelos herdeiros. Também estão em curso catálogos de Rubens Gerchman, Iberê Camargo, entre outros. Leonilson, no entanto, será o primeiro artista contemporâneo a ser contemplado por algo do gênero.

Resende e a irmã do artista acreditam que 90% da compilação já esteja concluída, mas estimam haver ainda cerca de 400 peças que serão listadas até a edição dos livros.

"Vimos muita obra falsificada", conta Fonseca da Silva. "É muito comum as pessoas quererem certificados de autenticidade, mas isso é algo paralelo ao catálogo. A ideia de se fazer isso é dar acesso à obra do Leonilson."

Na tentativa de evitar equívocos, cada obra submetida à avaliação da equipe é comparada com anotações, fotografias e esboços em seus arquivos pessoais. "Vamos fazendo as pontes entre a obra e o que está nas agendas dele", diz Resende. "Esse catálogo vai ajudar a distinguir também entre o que é esboço e estudo e uma obra final.

" Boa parte dos 4.000 trabalhos já elencados são desenhos –cerca de 1.500 exemplares. Além de imagens e informação sobre o paradeiro das obras, os volumes trarão artigos de referência sobre Leonilson, uma lista que já conta com 3.900 citações.

"Há trabalhos icônicos, como 'José' e 'Leo Não Consegue Mudar o Mundo', que têm páginas e páginas de informação a respeito", diz o editor, que esteve à frente da retrospectiva do artista no Itaú Cultural há quatro anos. "As fichas são extensas."

Não foi revelado quanto será investido no projeto, mas o esforço só foi possível com o patrocínio da Fundação Edson Queiroz, de Fortaleza, cidade natal de Leonilson. A instituição planeja uma mostra do artista para lançar o raisonné em 2016.

Por Silas Martí na Folha Ilustrada.

 

Sucesso entre os “novinhos” – gíria comum no mundo do funk  para designar a juventude -, o músico paulistano Lucas Rocha da Silva, o MC Garden, tem chamado atenção pelas letras politizadas e contestadoras.

Ele é polêmico e fala para periferia, com temas variados. Vai dos protestos nas ruas ao uso de drogas e à nova onda de lança perfume nos bailes de São Paulo. Aborda também da gravidez na adolescência, relações sexuais e dos menores no ambiente do funk, fazendo uma crônica do seu cotidiano.

No mundo do rap e no funk, é comum os artistas criarem frases de efeito, slogans, para definir seu trabalho. Da ponte pra lá ou Vida Loka foram marcas dos Racionais MC’s, que os identificaram com a população das periferias de São Paulo. O rapperEmicida tem também sua marca, A rua é nóis! Valeska Popozuda, a popular funkeira carioca, lançou o polêmico slogan My Pussy é o Poder. O MC Garden deixa também sua marca: Mais Ideologia, Menos Putaria.

O vídeo “Isso é Brasil”  já superou 3 milhões e meio de visualizações na página do cantor e lhe rendeu visibilidade e prêmios.

Conheça um pouco do trabalho do Mc Garden e o que ele tem a dizer sobre a política no Brasil.

"Geração de Pensadores": https://youtu.be/hkfyXRVNP68

"Isso é Brasil": https://youtu.be/nRF0QLYYCe4

João Priolli no Marqueteiros.