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'Sempre usava algum elemento de atrativo para os garotos', diz rapper. Ex-aluno conta como rap e ajuda do educador o tiraram da rua e do crime.

Quando foi ensinar poesia para os internos da Fundação Casa, em São Paulo, o rapper e educador Dugueto Shabazz ouviu de um aluno: “Eu aprendi que poesia é coisa de viado”. Dugueto rebateu com um trecho de “Jesus chorou”, dos Racionais, o grupo de rap da Zona Sul que fez uma legião de fãs relatando os problemas e a violência nas comunidades carentes: “O que é, o que é, clara e salgada, cabe em um olho e pesa uma tonelada”, e os meninos começaram a cantar junto. “Isso é poesia cara, a gente é tudo viado então”.

“Eles têm uma homofobia muito grande que é reflexo de toda a sociedade, mas dentro do crime é muito forte, coisa de ser homem e tal, no sentido macho da palavra”, disse o educador, que trabalhou por três anos na Fundação Casa contratado pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação e Ação Comunitária (Cenpec).

Por intermédio do rap e do funk, crianças e adolescentes de abrigos de rua e da Fundação Casa, a instituição pública responsável pela ressocialização de menores infratores no estado, conheceram de Racionais a João Cabral de Melo Neto. “Queria contribuir com a realidade deles e achava que a música tinha potencial pra isso”, explica Ridson da Paixão, educador e rapper conhecido como Dugueto Shabazz, de 32 anos. Ele usava autores consagrados para mostrar como métrica e sonoridade também eram importantes na composição de letras de rap e funk.

Criado no Jardim Jaqueline, na Zona Oeste de São Paulo, Dugueto Shabazz escolheu esse nome artístico por ser da periferia e como referência ao nome completo do ativista americano Malcom X (Al Hajj Malik Al-Shabazz). Pelo trabalho na Fundação Casa, recebeu o Prêmio Cultura Hip Hop 2014, do Ministério da Cultura. Com o dinheiro do prêmio, quer produzir o clipe da sua música “Menores infratores”.

“Tudo de mais sofisticado, mais denso que eu levasse pra eles, eu sempre usava algum elemento de atrativo”, disse Dugueto. Assim, ele levou a meninos e meninas a poesia de Castro Alves, Pablo Neruda, Patativa do Assaré e João Cabral de Melo Neto por meio do rap e do funk – que têm mais apelo hoje em dia, segundo o rapper.

A música também abriu portas em uma unidade da Fundação Casa na Raposo Tavares, que abriga menores considerados de alta periculosidade. “O lugar não tinha nada, eles quebraram tudo e mandavam no negócio”, disse Dugueto. Esses menores ainda não tinham aceitado nenhum tipo de oficina cultural, até saber que o professor ia “ajudar nas letras”. “Um trouxe um caderno todo cheio de letra, falou ‘a gente tem um grupo de rap aqui’”, e o educador contou que bem recebido pelo grupo.

Dugueto preferia não saber e não perguntava que tipo de infração cada adolescente cometeu. Tinha receio de descobrir, por exemplo, um caso de estupro, e acabar tratando o aluno de maneira diferente. “Não perguntava o que fez na rua, nunca perguntava isso pros moleques. Tinha medo de tratar diferente. Sei lá, por alguma reação minha maior que minha parte consciente ou profissional."

Antes de trabalhar por três anos na Fundação Casa, em dois períodos diferentes, Dugueto trabalhou em abrigos para crianças e adolescentes, os Centros de Referência da Criança e Adolescente (Crecas). Além de dar oficinas e aulas, ele saía com grupos para passeios no Centro, em lugares como o Centro Cultural Banco do Brasil e a Galeria do Rock. “Às vezes eu saía com 20 e voltava com 7, porque quando eles achavam os outros amigos do crack ou da cola, do tinner, eles evadiam.” Foi em um desses abrigos que conheceu Filliphe Augusto Gomes, na época com 13 anos.

Filliphe cresceu em Guaianases, na Cohab Juscelino Kubitschek, extremo da Zona Leste de São Paulo. Filho de mãe evangélica, conta que “ela sempre passava os valores do cristianismo”. “A minha educação não foi largada. Mas em contrapartida minha mãe precisava sustentar três filhos, então ela saía de manhã e voltava onze da noite.”

Na rua, a realidade da década de 1990 em Guaianases era violenta. “Quando eu era pequeno, meu irmão ia me levar para escola, cheguei a ver um homem enforcado numa árvore.” Como ficava muito na rua, jogava bola, empinava pipa, ele entendeu que aquilo seria “o normal”. “Eu não imaginava que tinha bairro nobre, pra mim São Paulo era aquilo ali. Meu bairro era minha cidade pra mim.”

Aos 12 anos, mais uma agressão das rotineiras agressões do padrasto o fez sair de casa. “E a minha mãe era submissa a ele e não me defendeu. E aí eu discuti com a minha mãe e ela falou palavras que eu não consegui absorver. Ela falou que só tinha obrigação de cuidar de mim até os 18 anos de idade, por lei. Isso daí eu nunca me esqueço. Quando ela falou isso daí, acordei pra vida. Então daqui sei lá, 5, 6 anos não sou mais nada. Então vou embora agora. Você não precisa mais ter essa responsabilidade. Peguei e fugi de casa.”

Pegou um ônibus até Itaquera, depois o metrô e, pela primeira vez, esteve no Centro da cidade. “Havia chorado o dia inteiro, então tava muito cansado”. Filliphe viu um aglomerado de pessoas, que seriam evangélicos distribuindo comida para moradores de rua, se envolveu e acabou conhecendo outras crianças que estavam na rua. “Eu era muito ingênuo, nunca tinha usado drogas, cometido nenhum tipo de crime, era apenas um moleque revoltado. Mas a partir daí eu comecei a conhecer a realidade da rua, e aprender.”

Após uma semana, uma frente fria o levou para um abrigo para menores de rua. Os novos colegas de rua falaram que era um bom lugar para tomar banho, descansar, comer e depois ir embora. Filliphe disse que há uma “aversão” ao abrigo pelos moradores de rua. “Pra quem mora na rua, não tem regra. Não tem horário pra dormir, não tem horário pra acordar. Criança e adolescente geralmente tem aversão a isso pela metodologia. Ali é um refúgio. Algo que você vai garantir a sua sobrevivência por alguns dias.”

E foi em um desses abrigos, os Crecas, que ele conheceu Dugueto. “Foi um cara que logo de cara eu me identifiquei porque ele falava a nossa linguagem. Entendia as nossas gírias, os nossos códigos. Ele sabia se comunicar com a gente”.

Filliphe já conhecia Racionais, mas pela primeira vez escutou “um homem na estrada”, recitada pelo educador. “A letra é muito forte, de cara você se identifica com aquilo”, contou. “No abrigo foi onde eu me apaixonei pela poesia e pelo rap. Eu entendi o real propósito da poesia do rap. Foi um momento que eu tive alguns discernimentos que me fizeram amadurecer.”

Ele viveu em abrigos dos 12 aos 17, pulando de um para outro. Alguns tentaram uma reaproximação com a família, que não deu certo, segundo Filliphe, porque o vínculo havia se quebrado. Quando se viu na rua com 17 anos, percebeu que a realidade não era a mesma de quando era pequeno. “Quando era criança, me davam algo pra comer, mas um marmanjo de 17 anos ninguém ajudava, virava as costas e foda-se. Eu me revoltei e tentei fazer um assalto”.

Após assaltar uma mulher na Avenida Nove de Julho, foi detido por policias que estavam perto e encaminhado para a Fundação Casa. “Só que eu também tinha uma noção de é que melhor eu tá sendo preso agora do que está sendo preso com 18. Senão ia ser muito maior minha pena”. Como era réu primário, após duas audiências ganhou liberdade assistida e saiu da instituição um dia antes de completar 18 anos.

“Quando eu saí da Fundação Casa, eu quis deixar bem claro na minha mente que aquilo ali não era o lugar pra mim. Eu não podia ser mais um menor saindo da Fundação que ia voltar pra mesma vida. Eu me apeguei ao rap pra poder ter força e condições pra mudar o meu rumo. Comecei a escrever”. Segundo Filliphe, foi essa época que as palavras de Dugueto passaram a fazer ainda mais sentido para ele.

Como nome artístico, escolheu Cafuzo, em referência à cultura negra e às raízes indígenas. Foi morar com o irmão na Zona Leste, em uma casa que a mãe tinha deixado após morrer. Filliphe contou que começou a ir atrás de tudo que tinha relação com o rap, festas, MCs, contatos em redes sociais.

“Quando eu fiz 18 anos, eu decidi. Eu vi que era a única pessoa que conhecia que tinha sobrevivido aquilo, tanto à rua, quanto ao crime e a Fundação Casa. Então eu falei mano, na moral, eu acho que eu sou um cara iluminado mano, eu preciso ser referência, não posso ser mais um uma estatística”, contou.

Trabalhou como chapeiro, garçom, montador de exposição de arte, vendedor de loja, panfleteiro, entre outras atividades. Hoje, aos 23 anos, trabalha no salão de beleza da esposa, com quem tem uma filha pequena.

A música e a arte são projetos paralelos, mas que ainda estão no sonho de se tornarem atividade principal. “Acho que tenho que passar minha mensagem pra talvez quem sabe algum dia tocar o coração de algum moleque e poder salvar a vida dele também.”

Paula Paiva Paulo do G1 São Paulo.

Paulo Mendes Campos já escreveu em crônica que ser brotinho é comparar o amigo do pai a um pincel de barba. E, quando a gente vai ver, não é que ele parece mesmo um pincel de barba? É com esse frescor que Arnaldo Antunes parece enxergar o mundo. Das situações mais comuns, do varejo da vida, ele aponta o inesperado. Faz a gente ver o que não via. Tudo pode ser um pincel de barba. As letras das suas canções tão elaboradas e talvez por isso mesmo tão simples, com olhar de criança ("Saiba: todo mundo foi neném/ Einstein, Freud e Platão também... quem tem grana e quem não tem / Saiba: todo mundo teve medo/ mesmo que seja segredo", em "Saiba"). As que subvertem a ordem das coisas ("Cinema assiste, cena vê, cor enxerga" em "Imagem"). E, claro, as frases de criança mesmo, como as de seu caçula, Tomé, anotadas pelo Arnaldo pai quando o filho tinha 3 anos ("Só mais um outro último, tá? Eu quero muitos últimos") e compiladas no livro "As Frases de Tomé ao 3 Anos."


Eles chegam com suas cores, música e língua com a perspectiva de recomeçarem a vida. E se, para nós, a princípio são todos iguais; basta um mínimo de atenção para perceber o contrário.

No último final de semana dois importantes eventos chamaram a atenção para a questão, que muitos tentam invisibilizar.

O Brasil possui mais de 8 mil refugiados e São Paulo é a cidade da América do Sul que lidera esse ranking. Nos últimos 5 anos o número de refugiados no país passou de aproximadamente 500, para mais de 8 mil, desses, 26% na Capital Paulista. As informações são do ACNUR, agência da ONU para a questão dos Refugiados.

O grande número de refugiados tem mudado a cara da cidade. Chegam com suas cores, música e língua com a perspectiva de recomeçarem a vida. E se, para nós, a princípio são todos iguais; basta um mínimo de atenção para perceber o contrário. Chegam do Haiti, do Senegal, de Mali, Burkina Faso, Gana, Argélia, Benim, Ângola, Camarões, República Democrática do Congo… Cada um com uma história, muitas vezes parecidas.

Os Refugiados são pessoas que deixaram seus países por motivo de perseguição devido à raça, nacionalidade, pertencer a um determinado grupo social ou possuir determinada opinião política. Embora sejam bem recebidos pelos brasileiros, ainda passam por maus bocados quando o assunto é a burocracia e adaptação. Para chamar a atenção para a questão e para o intercâmbio cultural com os brasileiros, nesse final de semana aconteceram dois importantes eventos: a Copa dos Refugiados e o Cultura de Refúgio, reafirmando a importância de ampliar o diálogo e pensar políticas públicas para estrangeiros nessa condição social.

Os Jornalistas Livres estiveram nos dois espaços, confira o que rolou.

Cultura de Refúgio Nesse domingo (2) a festa Domingo na Casa, organizada na Casa Fora do Eixo São Paulo, teve como temática a Cultura de Refúgio. A Casa Coletiva FdE fica localizada no bairro do Cambuci, uma região central, mas afastada…quase um centro periférico. De lá saíram artistas como OSGEMEOS, mas assim como toda a capital, teve sua rotina alterada por esses ilustres estrangeiros. O grande número de cortiços da localidade faz com que os refugiados, que possuem muita dificuldade para alugar uma moradia regular devido à documentação, se concentrem na região, explica Edvam Filho, morador da casa coletiva.

 

Foto: Mídia NINJA.

O evento começou com a exibição do documentário Soul King Nino Brown, sobre a importância da cultura de resistência do HipHop. 

"Ninguém tem futuro sem ter passado. A gente pega o que tem de negativo e transforma em positivo”, lembrou Nino após apresentação. E resistência é a história de vida dos refugiados."

O filme foi seguido pelo debate Cultura de Refúgio, mediado pelo refugiado e advogado congolês Pitchou Luhata Luambo, coordenador GRISTS (Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem-Teto de São Paulo), com a participação da cineasta Eliane Caffé, do jornalista congolês e recém-formado em mecatrônica, Alphonse, e do comerciante angoles Fabricio, ambos refugiados.

Foto: Mídia NINJA.

Pitchou explica o motivo da escolha do viés cultural do debate “Saímos do nosso país, mas não deixamos nossa cultura. Chegar em um país com outra cultura e costumes é uma grande dificuldade”.

Eliane realizou em 2014 a gravação de um longa-metragem com os refugiados, por um ano ela conviveu quase diariamente com eles. “O que eu sinto hoje é que a realidade do refugiado só vai ampliar esses bolsões de deslocamento. E o problema são os guetos que se formam. A única forma que eu vejo de furar esses guetos é por meio de projetos culturais.”

A barreira cultural e da língua são as principais dificuldades que encontram para a adaptação. Alphonse conta sua história: “Sendo jornalista e estudante sempre estava na linha de frente brigando por nossos direitos, por causa disso sofri perseguição. Consegui fugir graças a Deus, fui primeiro para a Tanzânia e de lá vim para o Brasil. Estou no Brasil há três anos e ainda estou aprendendo a língua, foi uma dificuldade muito grande”. Ele acaba de concluir o tecnólogo em mecatrônica, atualmente dá aulas de inglês e francês.

Fabrício saiu de Angola após ter sofrido violência policial depois de uma manifestação. Escolheu o Brasil exatamente pela língua irmã ao seu país de origem. Está no Brasil há 3 meses, para ele a adaptação está sendo tranquila: “A facilidade da língua me ajudou muito”. Pitchou, que está no Brasil há 5 anos, explica quais outras dificuldades enfrentam. “Estamos sofrendo por causa da desinformação das pessoas”. Ele explica que a maioria das instituições desconhece o “Protocolo”, documento que os refugiados possuem. Ele já foi impedido de resgatar seu FGTS por não reconhecerem o documento. Após o debate, o espaço cedeu lugar para uma animada festa, que contou com a banda Afreeka, do Congo, e o grupo Enligne Music, do Haiti. Além da música, os participantes puderam degustar a culinária tradicional dos países e participar de uma feira de roupas típicas (lindas!).

Os times de cada país se enfrentaram no campo do Ceret (Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador), localizado no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo. O evento é totalmente organizado por refugiados e solicitantes de refúgio que vivem na cidade. Um deles é Franky Tresor Bitanga (ou Bitanga Franky Tresor, já que na África o sobrenome vem na frente), que chegou no Brasil há 11 meses em busca de uma vida melhor e de mais oportunidades. O jovem camaronês de 23 anos acha importante um evento desse tipo, sobretudo pela reunião entre os refugiados e também com os brasileiros.

“Esse tipo de coisa é boa para pessoas que vêm de fora e se sentem sozinhas. O brasileiro é um povo sempre alegre, então quando você pode trocar alguma ideia com eles é sempre uma ideia bacana”, ressalta.

Como o clima era de futebol, Franky não demorou a cravar: “Vamos ser campeões e a final vai ser contra a Costa do Marfim”.

Talvez ele esteja certo. No próximo sábado (8) ocorrem as semi-finais e finais da competição. Os primeiros jogos serão Nigéria x Costa do Marfim, às 9h, e Camarões x Guiné-Bissau, às 10h, e definirão os finalistas que jogarão às 13h (a disputa do terceiro lugar deve ocorrer às 12h).

A presença de brasileiros nas arquibancadas não foi tão acentuada, mas os “namoridos” Aparecido da Costa Silva e Luzia Daniel de Andrade fizeram questão de assistir a alguns jogos.


Viemos assistir primeiro porque gostamos muito de futebol”, comenta Luzia. “Acho que nosso país tem que ajudar esse povo que está vindo para cá, dar assistência. É nossa obrigação. Somos todos irmãos e seres-humanos”, opina.

O espírito de fraternidade é justamente o objetivo de Jean Catumba, congolês organizador do evento. Ele explica que a Copa surgiu para criar um espaço de amizade, para estimular o contato com o povo brasileiro.

“Queremos falar para os que ainda não conhecem quem é refugiado. O Brasil é o país do futebol, escolhemos esse caminho para mostrar que temos uma fraternidade, que não somos perigosos, que temos valor e que pode construir um país junto com os brasileiros”, diz.

 

Jean espera que, em 2016, o evento possa ser melhor organizado, em parceria com a Prefeitura de São Paulo. “É para melhorar a divulgação, pois os brasileiros ainda não entenderam o nosso objetivo”, conclui.

A 2ª Copa dos Refugiados é promovida pelo Acnur (Alto Comissariado da ONU para Refugiados) e pela Caritas Arquidiocesana de São Paulo, com apoio da Prefeitura de São Paulo, do Colégio São Luís, da Cruz Vermelha, do Sesc (Serviço Social do Comércio), do Sindibast (Sindicato dos Empregados em Centrais de Abastecimento de Alimentos do Estado de São Paulo), da UGT (União Geral dos Trabalhadores), do Colégio Espírito Santo, da corretora de seguros Da Veiga, das Irmãs Missionárias do Espirito Santo e da Paróquia Cristo Rei—Tatuapé. Os 18 países competidores são Haiti, Guiné-Buissau, Afeganistão, República Democrática do Congo, Gana, Argélia, Cuba, Bangladesh, Síria, Mali, Senegal, Serra Leoa, Nigéria, Angola, Togo, Guiné-Conacri, Paquistão, Colômbia, Burkina Faso, Costa do Marfim, Camarões, Gâmbia, Etiópia e Iraque.

 

Foto: Adolfo Garroux.

Por Larissa Gould e Oscar Neto, especial para os #Jornalistas Livres. Com fotos de Adolfo Garroux, Giovanna Consentini e Mídia NINJA.


 

 

Noúlimo final de semana dois importantes eventos chamram a atenção para a questão, que muitos tentisibiúltimo fin de semana dois importantes eventos chamram a atenção para a questão, que muitos tentam invisibi

Conversei com a Ana Couto, empresária e especialista em gestão de marca, sobre as transformações no mundo do marketing e responsabilidade social da marca, entre outros temas. A conversa é inspiradora. O papo com a Ana vai além do aspecto técnico e de negócios. Faz pensar em como cada um de nós, indivíduos e profissionais, levamos nossas vidas. Confira abaixo a entrevista na Revista Move.

A principal reflexão que uma empresa, seja grande, média ou pequena, deve fazer é qual o papel da marca. O empreendedor deve se questionar: por que existo e por que estou no mundo? Além disso, deve se perguntar: o que agrego às pessoas?

Quem diz isso é a empresária Ana Couto, fundadora da agência de gestão de marca que leva seu nome. Uma das principais especialistas na área no Brasil, ela explica nesta entrevista exclusiva à Revista Move o que faz uma marca se diferenciar no mercado e como alcançar essa condição. Analisa também as transformações no marketing, que cede lugar ao conceito de gestão de marca.

“Não estou dizendo que o marketing vai deixar de existir, mas sim que ele tinha uma função muito clara naquela época (século XX)”, diz. “Quando falamos de branding, estamos subindo uma instância e trazemos essa visão – que é a de construção de valor – para a empresa como um todo.”

No bate-papo, a empresária diz que é possível fazer uma analogia dessa questão com a vida das pessoas. “Aquelas que entendem como é a própria personalidade, seus objetivos de vida, planejam o futuro e pensam no que fazer para alcançar isso, obtém um sucesso muito maior”, afirma.

Designer de formação pela PUC-RJ, Ana Couto tem mestrado em Visual Communication no Pratt Institute, em Nova York, e se especializou em Branding na Kellogg on Branding: Creating, Building, and Rejuvenating Your Brand. Em 2015, formou-se no curso OPM (Owner/President Management Program), na Harvard University.

Fundou a Ana Couto Branding em 1993 com a proposta de trabalhar o design como ferramenta para construir marcas. Entre as empresas para as quais desenvolve ou desenvolveu trabalhos estão Itaú Unibanco, Coca-Cola, Buscapé Company, AES Brasil e Alpargatas, entre outras. Em 2015, foi jurada do Festival de Cannes.

Em maio, lançou a Laje, um núcleo de inovação que atua como um espaço de aprendizado para profissionais e estudantes e consultoria de inovação com foco no setor corporativo. Com curadoria feita por Clarissa Biolchini, sua sócia, a Laje oferece cursos de design thinking, entre outros.

Confira a abaixo a entrevista com Ana Couto.

Revista Move – O marketing das empresas tem sido muito influenciado por questões como sustentabilidade e preocupações sociais, por exemplo. Que análise você faz dessa tendência?
Ana Couto – Temos uma visão – e acredito que o branding evolui nesse sentido – de que as marcas hoje têm um papel importante no mundo. A premiação de causas sociais está muito forte em festivais, como Cannes, por exemplo. É o design tendo um papel estratégico para uma marca, uma peça ou uma comunicação, com impacto social. Vejo isso como um grande tendência. Trabalhamos com a missão de fazer com que as empresas entendam que a sua marca tem de ter um papel positivo no mundo. Não dá mais para ficar em cima do muro, fingir que ela não impacta uma cadeia de consumo. O papel social da marca – e uso o termo me referindo à do iceberg, o que ela representa para o negócio e os consumidores – é muito forte. É uma tendência do século XXI. Nesse sentido Cannes representa bem a mudança. Houve toda uma polêmica a respeito de algumas campanhas que venceram, se elas são relevantes ou se foram feitas para ganhar prêmios, mas essa coisa vai se depurar. O fato é que não dá para trabalharmos no século XXI sem uma visão de construção de um mundo melhor. Isso vale para pessoas e para empresas.  O jovem está nesse caminho. Ele não quer trabalhar só por dinheiro.   O marketing clássico do século XX, que é push e venda, já teve seu tempo.

RM – O que está provocando essas mudanças no marketing e no papel das marcas?  É o comportamento do consumidor?
AC – Vamos analisar os últimos 20 anos. Nesse período, houve um avanço muito grande da globalização. A revolução digital nos trouxe um nível de informação que não havia antes. Todo o poder, que antes estava ligado às corporações, passou para as pessoas. Essa é uma mudança de paradigma nunca antes vista. A revolução digital trouxe a relevância para o nível das pessoas. Pense em AirBNB, Netflix etc. O que vai ficar em pé são as marcas, as propostas de valor que realmente são importantes na vida das pessoas. Isso é revolucionário. Para dar um exemplo, imagine uma marca de tapete de Londres cujo produto foi feito na Índia por crianças. Apesar de ser algo cultural e milenar lá – crianças trabalhando – hoje muitas pessoas podem não compactuar com essa cadeia de valor. Outra coisa é o desgaste do modelo de capitalismo do século XX. O capitalismo é o melhor modelo, mas precisa evoluir. Não dá mais para haver estímulo ao excesso de consumo. A crise do capitalismo está muito exposta, Mas ele vai acabar? Não. Ele vai evoluir para um sistema mais consciente, de preocupação com o planeta, por exemplo. É o contexto em que vive o mundo que indica todas essas transformações.

RM – Um dos efeitos visíveis dessas transformações é que as empresas já incorporaram o discurso da defesa do meio ambiente, causas sociais e sustentabilidade. Mas como separar o que é puro marketing daquilo que é realmente ação?
AC – Conversamos muito com nossos clientes o seguinte: qual é sua proposta de valor – isso é a base do branding. O que você traz de relevante para o mundo e para as pessoas? Quando você constrói uma visão estratégica para a sua marca, entende que isso é a ponta do iceberg. Debaixo da parte visível, há toda uma base de valor que, se não for sólida e real, fica como o vento: vai de um lado para o outro. Temos uma evolução darwiniana. Não são os mais fortes que vão sobreviver, mas sim os que têm maior capacidade de se adaptar. Sobreviver hoje, como uma marca, é algo muito complexo. Veja a Kodak, Blockbuster e outras grandes corporações que, de uma para a outra… A gestão da marca para o CEO passa pelo seguinte ponto: ele tem de pensar hoje como evoluir em termos de negócios sem desprezar a proposta de valor de marca, porque isso, sim, é o fio condutor de seu negócio. As empresas que entendem isso são as que criam relevância para as pessoas. Aí o branding trabalha a relevância perante os stakeholders. Não é só o consumidor, mas também o colaborador, o acionista, a comunidade. Todas as relações de valor. Vivemos um momento de muita atenção – e tensão – a respeito de como evoluir num momento de muita mudança. O negócio vai mudar muito, a proposta de valor da marca é o fio condutor para o futuro e o segredo é ter relevância para as pessoas. Grandes marcas como Coca-Cola e McDonald´s, que entendem que seu produto em si não está necessariamente fazendo um mundo melhor, estão se repensando. E quem se repensar e olhar o mundo de outra forma vai permanecer.

RM – Muitas vezes isso é algo difícil porque passa pela modificação do produto, não?
AC – Sim. Basear a proposta de valor no produto é, não vou dizer equivocada, mas uma visão frágil. O papel do produto é fundamental. O papel dele é “tangibilizar” uma proposta de valor para o cliente. Se ele não entrega isso, a chance de cair em desuso é grande. Um exemplo emblemático do mundo das marcas e dos negócios é a Apple. Ela não é calcada no produto, mas numa proposta de valor. A empresa soube evoluir de uma marca de computador para designers, como era há 30 anos, para algo muito diferente, além do computador. É uma marca que pensa a proposta de valor e usa o produto para “tangibilizar” isso. E produto tem de entregar, não pode ser fake. Aquela coisa “eu amo essa marca” não se sustenta. A gente ama as relações intrínsecas – pai, mãe, família. Com marcas, a gente se relaciona.

RM – Num artigo no Meio & Mensagem, você escreveu que o marketing cedeu lugar à gestão de marca. Pode explicar isso melhor?
AC – Pensando no século XX, quando se começou a vender produtos – no tempo dos 4Ps -, o objetivo muito claro do marketing era a venda. Não estou dizendo que o marketing vai deixar de existir, mas sim que ele tinha uma função muito clara naquela época. Quando falamos de branding, estamos subindo uma instância e trazemos essa visão – que é a de construção de valor – para a empresa como um todo. Então deixa de ser uma função, uma categoria, um exercício do marketing para ser um trabalho de construção de valor da empresa. Nesse processo, todas as esferas da empresa são influenciadas. O RH, por exemplo, não está lá mais só para atender questões burocráticas relacionadas ao colaborador, mas sim para atuar numa dimensão maior. Ele tem de lidar com parceiros estratégicos, financeiros, falando com todos os executivos que constroem o negócio. O valor da marca é a soma de todas essas esferas. Uma coisa muito importante hoje, por exemplo, é a Bolsa de Valores. O ativo da marca na Bolsa tem uma grande importância na hora de comprar uma ação ou investir numa empresa. O consumidor, portanto, não é mais aquela pessoa que apenas compra um produto, como no passado. Hoje muitas vezes ele é cliente, mas também colaborador, investidor – nos EUA há um número alto de investidores na Bolsa. Perceba que há um círculo de papeis exercidos pelas pessoas. Não se pode, por exemplo, deixar de lado uma comunidade altamente impactada por um negócio. Ela tem força para destruir uma marca se não enxergar valor para ela. Por isso a Intel, para citar um caso, está mostrando atualmente de onde vem o minério usado nos chips. Mostra que ele é legal, como foi extraído etc. E a venda daquele chip específico é o valor da cadeia dela. A companhia leva esse produto para o mercado com a visão de que não se pode mais deixar de observar a cadeia como um todo. É um momento muito rico de amadurecimento no modo como se entende o papel das empresas. É a visão de que a função delas não é apenas o de produzir uma mercadoria.  Por isso intangível é o século XXI, e isso vem com toda a revolução digital. O intangível é a marca. Como se faz a gestão dela? Por isso, quem estiver olhando só para a venda, para o próprio umbigo, vai ter mais dificuldade de evoluir e ser relevante nos próximos 100 anos.

RM – O problema é tudo isso se dá num ambiente de pressão muito forte por resultados de curto prazo. Ter capital aberto, como você citou, só agrava essa situação. E um trabalho de construção de marca pressupõe um olhar de médio e longo prazos. Como resolver esse conflito?
AC – Eu sei que não é fácil. Um dos compromissos com nossos clientes é fazer um trabalho aplicável, simples e que gere valor. É preciso ter muito cuidado para não ficar num papo muito filosófico. O principal é entender qual é o papel da marca e buscar relevância. É perguntar: “por que existo e por que estou no mundo?” Essa é uma reflexão que muitas vezes as empresas não fazem, já vão direto para o resultado, para a comunicação. Se bem feito, esse questionamento ajuda muito no negócio, porque tudo fica mais claro para os colaboradores. O seu diferencial é a sua razão de ser. Vejo muitos executivos patinando na busca por diferenciação porque nunca refletiram sobre qual o papel de sua marca no mundo. É possível fazer uma analogia com as pessoas. Aquelas que entendem como é a própria personalidade, seus objetivos de vida, planejam o futuro e pensam no que fazer para alcançar isso, obtém um sucesso muito maior. O branding não é uma coisa teórica e de muito longo prazo. É um instrumental para o dia a dia. Se fizer essa reflexão, você encontra a sua diferenciação e constrói relevância. Pense num restaurante qualquer em que a comida não é boa e o lugar não é agradável. Não agrega nada ao seu cotidiano. Você sabe que aquele lugar não vai dar certo. O dono não pensou em que diferença ele faz na vida das pessoas, além de entregar o arroz e feijão. É preciso construir um negócio no qual haja uma diferenciação. Não adianta começar algo que todo mundo já tem. A chance de sucesso nesse caso é pequena. É complexo.

RM – E isso serve para o grande, para o médio e para o pequeno empresário.   
AC – Exatamente! Tem aquele caso clássico do pipoqueiro. Você conhece?

RM – Qual?
AC – É uma brincadeira bacana. É a história do pipoqueiro que entende quais são os diferenciais dele. Tem uniforme branco, marca, dá lencinho para a pessoa lavar a mão antes de pegar o pacote, faz pipoca de acordo com a personalidade do cliente. Tem todo o diferencial de marca. Então digo que é o brand do pipoqueiro, porque ele pensou no que pode agregar para o cliente dele. É uma pergunta básica: o que você agrega às pessoas?

Clayton Melo Sócio, publisher e empreendedor na Revista Move é também Blogueiro na Istoé Dinheiro.


O 'doodle' do Google desta quinta-feira (6) presta uma homenagem ao sambista paulista, e também ator, radialista e humorista, Adoniran Barbosa. Acesse: https://www.google.com.br/

Se estivesse vivo, ele estaria completando 105 anos. É o autor de "Trem das onze", "Saudosa maloca", "Samba do Arnesto" entre outros clássicos.

Adoniran Barbosa, nome artístico de João Rubinato nasceu em Valinhos6 de agosto de 1910 e faleceu em São Paulo23 de novembro de 1982

Rubinato representava em programas de rádio diversas personagens, entre os quais, João Rubinato, que acabou por se confundir com seu criador dada a sua grande popularidade. 

Mais na Wikipediahttps://goo.gl/t5W6qf

 


A dupla de artistas brasileiros 'OsGemeos' volta com seus icônicos personagens coloridos em um novo trabalho intitulado “Conexão Paralela” (Parallel Connection), uma animação interativa que ganhará os painéis eletrônicos da Times Square entre os dias 1 e 31 de agosto, das 23:57 à meia-noite. O projeto faz parte do Midnight Moment, uma apresentação mensal feita pelo The Times Square Advertising Coalition (TSAC) e pelo Times Square Arts.

Todas as noites, a Times Square se torna uma galeria de arte digital, com exibições visuais em determinadas telas e bancas de jornal. Os shows sempre começam às 23:57 com uma contagem regressiva que sinaliza o início da apresentação de três minutos. Eric Dyer, Richard Garet, Andy Warhol, Björk, Leslie Thornton e Yoko Ono são alguns nomes do extenso grupo de artistas que já participaram do projeto.

“É sempre muito emocionante tentar novos meios de se comunicar com nosso público e estamos muitos felizes com esta oportunidade. Esta é a primeira vez que nós criamos algo nesta escala, usando telas e uma animação maior. É um diálogo entre dois mundos, onde o espectador está no meio do palco, e estabelece uma conversa entre o mundo imaginário e o real, uma pausa no tempo para refletir e sonhar”, afirmam Gustavo e Otávio Pandolfo.

Conexão Paralela rompe as barreiras entre a imaginação e a realidade. Os artistas pretendem se conectar com o lado alegre e criativo que, segundo a dupla, todo indivíduo tem dentro de si, mas que visualizam apenas nos sonhos. “O mundo dos sonhos é o único lugar onde cada pessoa no universo pode estar conectada se conseguir quebrar as barreiras entre a imaginação e o mundo físico”, afirmam os irmãos.

De acordo com Tim Tompkins, presidente da Times Square Alliance, “a animação d’'OsGemeos', criada especialmente para o projeto, acerta em cheio o público da Times Square, convidando-o para esse universo alternativo proposto pelos artistas.

OsGemeos estavam na nossa lista de desejos pois o trabalho deles envolve a imaginação do público, seduzindo com uma estética vibrante e puxando as pessoa para um mundo onde diversidade, humor e humanidade coexistem”, afirma Sherry Dobbin, diretor da Times Square Arts.

O presidente da Times Square Advertising Coalition, Fred Rosenberg, afirma ser uma honra dar espaço a artistas tão queridos, principalmente pelo público jovem, na programação de agosto, e mostrar que as telas do projeto conseguem criar a mesma diversão que os cinemas ao ar livre. Harry Coghlan, também presidente da Times Square Advertising Coalition, disse que foram atraídos pela maneira em que 'OsGemeos' colocam os painéis eletrônicos no papel principal do vídeo, de um jeito lúdico e hipnótico”.

Fonte: Mistura Urbana.