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A pesquisa Acesso aos Espaços Públicos na Pandemia foi realizada em duas fases durante a pandemia, maio e outubro de 2020. Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil.A pesquisa Acesso aos Espaços Públicos na Pandemia foi realizada em duas fases durante a pandemia, maio e outubro de 2020. Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil.

A resiliência urbana foi posta em cheque com a chegada da pandemia de forma acelerada e drástica nas cidades. A limitação de deslocamentos, contatos e acesso aos espaços públicos foi a estratégia mais eficaz de contenção do vírus. Mas a estrutura da cidade, somada à falta de políticas públicas emergenciais, revelou-se nada resiliente quando grande parcela da população teve que continuar percorrendo longos trajetos em transporte público para trabalhar em serviços essenciais, e também quando a saúde mental e física da população foi afetada pela falta de acesso a locais que possibilitassem a prática de exercício físico em segurança, evidenciando a precariedade de oferta desses espaços na cidade.

Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias. Imagem: Divulgação.Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias. Imagem: Divulgação.

As cidades estão em constante transformação. Se orientadas por premissas parciais ou desatualizadas, as modificações no espaço urbano tendem a imprimir esses equívocos no território. Quando guiadas por uma visão comum que priorize a segurança das pessoas e a mobilidade ativa, essas intervenções têm o potencial de orientar a transformação da cidade em um lugar mais democrático, acolhedor, caminhável e seguro. É para esta cidade que aponta o novo Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias de São Paulo.

A geração Z demanda cada vez mais mobilidade sustentável. Foto: Getty Images / iStockphoto.A geração Z demanda cada vez mais mobilidade sustentável. Foto: Getty Images / iStockphoto.

A micromobilidade vem ganhando cada vez mais espaço nos centros urbanos. E os responsáveis por isso são os jovens da Geração Z, o grupo de pessoas que surgiu após os millennials e que, em alguns anos, deve comandar o mercado global de consumo. São eles os responsáveis por mudar o conceito de mobilidade urbana, trazendo para o centro do funcionamento das cidades a ideia de micro-movimentação, que pode ser feita de bicicleta, de patinete e de carro compartilhado. As opções, agora, vão muito além de simplesmente não ter um carro (que era uma das conquistas para a geração anterior) ou usar aplicativos de locomoção.

Em 2018, a socióloga e cicloativista Marina Harkot defendeu sua tese de mestrado A Bicicleta e as Mulheres na Universidade de São Paulo (SP). Para criar uma metodologia qualitativa dos desafios da mulher ciclista na cidade, ela ouviu diversas mulheres: as que pedalam para trabalhar, as que pedalando conhecem a cidade e as que adoram subir o relevo ondulado da capital.

Levantamento internacional analisou capacidade de oferecer espaços caminháveis e serviços essenciais perto da população. Recife em foto de Andrea Rego Barros.Levantamento internacional analisou capacidade de oferecer espaços caminháveis e serviços essenciais perto da população. Recife em foto de Andrea Rego Barros.

Um levantamento internacional divulgado na última quarta-feira, 14, mostra que as cidades brasileiras ainda falham em oferecer espaços caminháveis e serviços essenciais próximos para seus habitantes. Realizado pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP, em inglês), ele analisou cerca de mil áreas metropolitanas no mundo e mostra que cidades do Brasil estão atrás das principais metrópoles europeias e, também, de vizinhas, como Bogotá e Lima, por exemplo.